04/11/2011
Pequenos produtores de São Felipe fazem cultivo orgânico da araruta
A agricultura é a principal atividade econômica do município de São Felipe, no Recôncavo baiano, com destaque para o cultivo da mandioca, da cana- -de-açúcar, do amendoim e, mais recentemente, o plantio orgânico da araruta. Com a revitalização desta cultura, o município já se destaca como o maior produtor de araruta do estado da Bahia.
Negligenciada durante anos, a araruta quase chegou à extinção no Brasil, principalmente por causa da massificação do polvilho de mandioca, e das farinhas de trigo ou de milho, na culinária dos lares e restaurantes, além dos produtos industrializados.
Em 2008, o agricultor Pedro Coni, de Conceição do Almeida, impressionado com os benefícios da araruta, procurou a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical para que apoiassem o cultivo da planta.
Potencialidades – Tendo assistência técnica da EBDA, empresa vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), e entusiasmado com as potencialidades da araruta, ele passou a estimular outros agricultores a diversificar os produtos feitos com araruta. O agricultor familiar Raimundo da Cruz, atualmente o maior produtor na região, está gostando muito de cultivar a araruta. "Comecei com 23 pés, hoje tenho mais de 30 mil", conta.
O agricultor, que atualmente é presidente da Associação dos Produtores Orgânicos do Recôncavo Baiano (Aporba), destaca a diversidade de produtos não-alimentícios que podem ser criados com a araruta, além de cosméticos, vasos para plantas, papéis e artesanato utilizando a fibra.
E a partir da fécula da araruta, de textura fina e delicada, são produzidos bolos, mingaus, sequilhos, doces finos e outros alimentos que dissolvem na boca. A araruta é leve, de fácil digestão e cada dez gramas têm 340 calorias – na fécula são encontradas vitamina B1, proteínas, ferro, cálcio e fósforo.