ADAB intensifica fiscalização contra uso da cama de frango na região de Feira de Santana

06/07/2012

ADAB intensifica fiscalização contra uso da cama de frango na região de Feira de Santana

Para garantir a sanidade do rebanho baiano, evitando a introdução da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecido como Mal da Vaca Louca, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, está intensificando as fiscalizações em fazendas da região de Feira de Santana.

Durante a última semana, fiscais estaduais agropecuários visitaram propriedades e recolheram amostras de alimentos para identificar o uso da cama de frango, prática proibida no Brasil há oito anos e caracterizada pela mistura da proteína animal na alimentação dos bovinos. Em três fazendas, a Adab flagrou a utilização da cama de frango. As propriedades já foram notificadas e, seguindo as determinações legais, os 62 animais existentes serão encaminhados para o abate sanitário nos próximos 30 dias.

“Este é um assunto que envolve saúde animal, saúde pública, com reflexos para a agropecuária baiana e brasileira”, ressalta o diretor-geral da Adab, Paulo Emílio Torres. “Por isso, as fiscalizações são criteriosas e seguem rigorosamente a legislação sanitária, evitando prejuízos sociais e econômicos”, complementa Torres.

As ações aconteceram após denúncias feitas na Coordenadoria Regional de Feira de Santana por produtores da região. “O produtor consciente entende que a Adab é sua parceira na busca pela sanidade do rebanho e melhoria da pecuária. Como conhece e confia na instituição, sabe que pode denunciar atividades que coloquem em risco o negócio pecuário”, salienta o diretor-geral.

Os criadores notificados alegaram usar a cama de frango em função do prolongado período de estiagem que provocou a escassez de alimentos para o gado. Com o objetivo de criar alternativas de alimentação para os rebanhos, o Comitê Estadual para Ações Emergenciais está viabilizando a aquisição de milho para ração animal.

A Adab vai fornecer ao produtor rural uma ficha sanitária, contendo o quantitativo de animais cadastrados no Sistema de Integração Agropecuária (Siapec). Com esse documento em mãos, o produtor pode dirigir-se à sua entidade de classe ou EBDA para se cadastrar no Programa de Vendas em Balcão para compra de milho da Conab. “A meta é unir esforços para salvaguardar a agropecuária baiana e minimizar os problemas causados pela seca, oferecendo condições para o produtor desenvolver sua atividade sem maiores prejuízos e manter a sanidade de seu rebanho”, enfatiza o diretor de Defesa Sanitária Animal, Rui Leal.

Embora nenhum caso do “Mal da Vaca Louca”, como é popularmente conhecida a EEB, tenha sido registrado no país, o Ministério da Agricultura mantém o estado de alerta com relação à enfermidade para proteger o rebanho.

 

Resolução

A doença surgiu na Europa, pela primeira vez, em 1986. “Ela tem um período de incubação que pode alcançar até dez anos e é transmitida ao homem através do consumo da carne contaminada pela proteína infectante”, explica o coordenador do Programa de Raiva dos Herbívoros da Adab, José Neder. “E, assim como nos animais, a doença em humanos é incurável e fatal”.

Todas as amostras de alimento servido ao gado nas fazendas da região de Feira de Santana serão direcionadas para exames laboratoriais. Se for confirmada a presença de proteína animal, o laudo é encaminhado ao Ministério Público Estadual e o infrator pode ser processado por crime contra a saúde pública.

 

Ascom/Adab

06.07.12

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