Plataforma P-59 volta a impulsionar indústria naval do Brasil após 30 anos

16/07/2012

 

Plataforma P-59 volta a impulsionar indústria naval do Brasil após 30 anos
 
 
 
 
Após 30 anos sem construir plataformas de perfuração autoelevatória, a Petrobras batizou sexta, em São Roque do Paraguaçu, no município de Maragojipe (Recôncavo baiano), a Plataforma P-59. A ação marcou a retomada das atividades no canteiro, onde aconteceu a solenidade.
 
Estiveram presentes a presidente da República, Dilma Rousseff, o governador do Estado, Jaques Wagner, a primeira-dama Fátima Mendonça (madrinha da P-59) e a presidente da Petrobras, Graça Foster. O evento foi realizado depois do lançamento da pedra fundamental do Estaleiro Enseada do Paraguaçu.
 
A conclusão da P-59 é um marco para a indústria naval brasileira e representa a retomada da produção nacional deste tipo de plataforma, uma vez que há quase 30 anos não eram construídas, no país, unidades autoelevatórias similares.
 
Investimento – A nova plataforma de perfuração autoelevatória será alocada primeiramente no poço exploratório Peroá Profundo, localizado no campo de Peroá, na costa do Espírito Santo. Poderá operar em locais onde a profundidade de água varia de 10 a 106 metros, com capacidade de perfurar poços de até 9.144 metros de comprimento, em condições de alta pressão e temperatura.
 
No total, foram investidos, aproximadamente, US$ 360 milhões na construção da plataforma. De acordo com a presidente da Petrobras, Graça Foster, a P-59 tem a finalidade de atender aos cronogramas operacionais de exploração e produção da companhia nos próximos anos e dar suporte à eventual estratégia de incorporação de novos blocos exploratórios em águas rasas.
 
Segundo Foster, a tecnologia utilizada no canteiro de obras em São Roque do Paraguaçu é única no mundo, o que demonstrou a capacidade da estatal em inovação. De acordo com ela, outros investimentos estão previstos para a Bahia, como a construção de seis sondas da Petrobras no Estaleiro Enseada do Paraguaçu.
 
Casco flutuante, peso de 11 mil toneladas e mecanismo para movimentação
 
A P-59 é composta por um casco flutuante, que pesa, aproximadamente, 11 mil toneladas, com três pernas retráteis independentes de 145 metros de altura cada, as quais podem se movimentar para cima e para baixo por meio de sistema elevatório próprio (jack up).
 
O equipamento será posicionado nas locações por rebocadores e as pernas apoiadas no leito marinho. Depois de fixada, a unidade permanece acima do nível da água, deixando o casco e os equipamentos de perfuração longe da movimentação das ondas do mar.
 
"Durante muito tempo, a indústria naval da Bahia ficou estagnada, mas felizmente o governo federal e a Petrobras trouxeram de volta a indústria naval da Bahia. Estamos orgulhosos porque a tecnologia utilizada no canteiro de São Roque do Paraguaçu é única no mundo. Hoje, mostramos aqui a nossa capacidade de construir plataformas, de ajudar a desenvolver o Brasil", enfatizou Jaques Wagner ao discursar.
 
Incentivo ao desenvolvimento na região do Recôncavo baiano
 
A P-59 não significa conquista apenas para a Petrobras e o Brasil de forma geral, mas, principalmente, para a população do Recôncavo baiano, que teve oportunidade de emprego. "As pessoas treinadas aqui fizeram este empreendimento tão importante. Os empreendimentos instalados no Recôncavo – Estaleiro Enseada do Paraguaçu e Canteiro da Petrobras – estão oferecendo mais trabalho para a região e, consequentemente, mais desenvolvimento econômico", afirmou o governador.
 
As obras geraram cerca de 2.100 empregos diretos no pico da construção, dos quais 50% para pessoas do Recôncavo, 25% de São Roque, 15% de outros locais da Bahia e 10% de outros estados.
 
"Antes, a população do Recôncavo tinha apenas três opções [de trabalho], o serviço público, a pescaria ou comércio, e a maioria partia para a pesca por ter pouco ou nenhum tempo de estudo. Com a chegada do canteiro, nossa realidade mudou para melhor porque surgiram outras oportunidades de emprego com qualificação especifica", disse o encarregado de arquitetura naval, Fabiano dos Santos, morador do município de Nazaré.
 
Outro funcionário que está bastante satisfeito é o técnico Cesar dos Santos Silva, 32 anos, residente em Santo Amaro da Purificação. "Estou feliz por ter participado da construção da P-59. É um orgulho para nós baianos, nós do Recôncavo, saber que a plataforma foi construída pelas nossas mãos."
 
Também foram criados dez mil empregos indiretos em toda a região, incluindo os setores de fornecimento de alimentos – que beneficiam agricultores familiares – e de fardamento (costureiras).
 
Unidades fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento
 
Além da P-59, está sendo construída, no canteiro de São Roque do Paraguaçu, a P-60, que deve ficar pronta até agosto. Os contratos de construção das duas plataformas foram assinados, em setembro de 2008, com o Consórcio Rio Paraguaçu. As unidades fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.
 
"Diziam que o Brasil não tinha capacidade para produzir plataformas. Mas nós insistimos e deu certo. Somos construtores de plataformas, somos construtores de muitas coisas. Descobrimos o petróleo, quando todo mundo achava que no Brasil não existia, e descobrimos o pré-sal. Por que não iríamos construir plataformas? O que está ocorrendo aqui é o caminho do futuro. É afirmação de que podemos construir plataformas e fazer muito mais", disse a presidente Dilma Rousseff.
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