Central de laboratórios realiza pesquisa sobre a mosca-das-frutas
O inseto é uma das pragas que causam prejuízo aos pequenos produtores de caju e manga
Subsidiar técnicas para o manejo das moscas-das-frutas é o que está fazendo a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), por meio da Central de Laboratórios da Agropecuária (CLA), localizada em Ondina, em Salvador.
As pesquisas direcionadas ao estudo do comportamento desses insetos-praga acontecem no Laboratório de Entomologia.
O projeto pretende desenvolver meios de combate à espécie ‘Anastrepha obliqua’, uma das principais pragas da manga no estado, por meio da parceria entre a EBDA, Universidade Federal da Bahia (Ufba), Embrapa Mandioca e Fruticultura, Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
Perdas econômicas - Segundo a coordenadora do Laboratório de Entomologia da EBDA, Maria Clarice Dias, as moscas-das-frutas causam perdas econômicas aos agricultores familiares, pois a larva se alimenta da polpa do fruto, tornando-o inviável para a comercialização. Manga, caju, goiaba e uva são exemplos de frutas preferidas pelos insetos.
Há aproximadamente três anos, a equipe de pesquisadores realiza testes relacionados à escolha de parceiros sexuais e preferência de oviposição (ato de inserir os ovos no fruto realizado pelas fêmeas) e, atualmente, investigam a eficiência de atrativos químicos usados na captura das moscas adultas, para o controle e monitoramento de suas populações.
Compostos voláteis - As pesquisas sobre o desenvolvimento de compostos químicos voláteis, usados como atratores das moscas-das-frutas, são coordenadas pelo veterinário e pesquisador da EBDA Frederico de Medeiros Rodrigues, também responsável pelas análises químicas dos estudos. "Desenvolvemos ações de pesquisa no laboratório para identificar compostos orgânicos voláteis atratores do inseto-praga na cultura da manga. A partir dos resultados obtidos, a Bahia dará um salto de qualidade no manejo das moscas."
Pesquisadores acompanham todos os estágios do ciclo de vida
Na Central de Laboratórios da Agropecuária, os pesquisadores mantêm colônias do inseto de várias espécies, acompanhando todos os estágios do ciclo de vida - ovos, larvas, pupa, e adulto, fase na qual os insetos são utilizados nos experimentos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa.
Segundo Maria Clarice Dias, a equipe trabalha para atender às necessidades dos produtores, estudando mecanismos de manejo da praga. "Uma das pautas de trabalho dos pesquisadores é agendar para os próximos meses seminários de sensibilização e capacitação junto aos agricultores familiares."
De acordo com a bióloga Juliana Piovesan, medidas simples podem ser adotadas para a prevenção dos prejuízos causadas pelas moscas-das-frutas. "O agricultor familiar deve coletar e enterrar os frutos maduros ou caídos. Isso vai impedir o desenvolvimento das larvas, interrompendo o ciclo de vida e diminuindo a infestação."
Coleta de frutos infestados é feita periodicamente
As pesquisas incluem atividades de campo no sertão do São Francisco, polo frutícola da Bahia, em comunidades rurais de Juazeiro, Curaçá e Jaguarari. Ainda no campo, são realizadas coletas periódicas de frutos infestados para obtenção das populações de moscas utilizadas nas pesquisas.
Em novembro de 2011, a equipe de pesquisadores visitou as comunidades rurais, com o objetivo de fazer um diagnóstico sobre a percepção dos agricultores familiares quanto a ocorrência das moscas-das-frutas e dos prejuízos associados aos insetos.
A partir do diagnóstico realizado, a equipe de pesquisadores está produzindo uma cartilha educativa, com informações básicas sobre as moscas-das-frutas e métodos de manejo e monitoramento da praga. A publicação terá linguagem simples e ilustrações mostrando, passo a passo, como instalar armadilhas com garrafa de PET e tabelas para monitoramento.