Conferência debate integração regional
Na abertura do encontro, foram entregues carros a entidades por meio de convênio entre os governos estadual e federal
As políticas públicas para o desenvolvimento regional estão sendo elaboradas com a participação de 350 representantes de todos os territórios de identidade da Bahia, até amanhã, durante a 1ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Regional e Territorial.
O evento, aberto ontem pelo governador Jaques Wagner, no Hotel Sol Bahia, em Patamares, é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), em parceria com o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria do Planejamento (Seplan).
Fortalecimento - Na abertura, representantes de entidades dos territórios de identidade receberam, cada um, um veículo Gol 1.0, por meio de contrato celebrado entre a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Marion Góes, de Rio Real, representante do Agreste Baiano, formado por 22 municípios, recebeu um dos carros. "Para termos políticas públicas organizadas eficientes, o deslocamento é necessário. A entrega dos carros, na abertura da conferência, foi muito bem colocada porque o desenvolvimento regional passa pelo fortalecimento dos territórios."
Quatro biomas - O governador falou sobre a importância do desenvolvimento regional para um estado com as dimensões da Bahia. "Nosso estado é do tamanho da França, temos quatro biomas, uma diversidade populacional, com comunidades quilombolas, indígenas, trabalhadores rurais, empresários de tamanhos diferentes, e precisamos reconhecer que existem várias ‘bahias’ dentro do nosso território."
Wagner afirmou que a política estadual de integração regional já apresenta resultados. "Em cinco anos e sete meses de governo, chegamos a meio milhão de empregos com carteira assinada na Bahia. Foram 27% na região metropolitana e 73% no interior. Justamente, por esta política de integração regional e inclusão social, os mercados não estão mais concentrados, proporcionando dinâmica econômica diferenciada, com qualidade no comércio, na indústria, na agricultura, no agronegócio, em diversos segmentos."
O secretário do Planejamento, Sérgio Gabrielli, disse que o planejamento precisa trabalhar com a dimensão setorial e de grandes recursos orçamentários e com a dimensão espacial. "Hoje, a dinâmica econômica do estado é fortemente influenciada pelo crescimento do consumo interno e de investimentos." Ele citou também "o enorme volume de novos investimentos descentralizadores, fora da região metropolitana, em especial na área de mineração e energia".
Bahia é exemplo para outros estados
De acordo com o secretário da Sedir, Wilson Brito, o Estado está fortalecendo a política de territórios na Bahia. "Estamos democratizando os recursos, direcionando as ações governamentais para que a sociedade civil, por meio das comunidades, associações e cooperativas, possa definir como o governo deve chegar à ponta." Brito disse que a conferência vai democratizar ainda mais estas ações.
Para o presidente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e representante do Ministério da Integração, Elmo Vaz, "a Bahia tem muito a ensinar a outros estados porque já desenvolveu uma cultura de participação social e territorial no processo de desenvolvimento regional". Segundo ele, a partir de 2007, houve participação mais ativa das diversas regiões do estado, com a criação dos territórios de identidade. "O PPA [Plano Plurianual] passou a dar frutos, o Água para Todos também é um grande exemplo de participação social."
Subsídios para políticas públicas
Segundo Elmo Vaz, serão discutidas na conferência parcerias entre a Codevasf e o Governo do Estado. "São exemplos ações significativas como a irrigação dos baixios de Irecê, do Salitre, e o projeto de integração a partir do Rio São Francisco, envolvendo as bacias do Itapicuru, do Jacuípe e do Itaguaçu. Há também o projeto de interligação dos modais, tendo o São Francisco como eixo principal."
De acordo com ele, o resultado da conferência será um documento norteador das políticas públicas para os próximos anos, subsidiando um evento macrorregional, sediado pela Bahia, e culminando, em dezembro, na conferência nacional, em Brasília.