05/11/2012
Projetos de cozinhas comunitárias são apresentados a mulheres da zona rural
O grupo de trabalhadoras viajou no veículo que recebeu o nome de ‘Circuladô de Mulé’
Um grupo de 41 mulheres de comunidades rurais dos municípios de Arataca, Buerarema, Uruçuca, Pau-Brasil, Itabuna e Ibicaraí, no sul da Bahia, viajou, esta semana, mais de 600 quilômetros até o município de Souto Soares, na Chapada Diamantina, para conhecer experiências bem-sucedidas de projetos de cozinhas comunitárias, desenvolvidos em distritos como Mundo Novo e Pocinho.
A visita foi organizada por técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), no âmbito do programa estadual Vida Melhor, e teve a participação de representantes da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), também ligada à Secretaria da Agricultura (Seagri).
Geração de renda – O objetivo é fomentar o desenvolvimento regional e ampliar o combate à pobreza em comunidades rurais, que ainda não tiveram oportunidade de desenvolver atividades que possam resultar em alternativas para a geração de renda e comercialização da produção local.
O ônibus ‘Circuladô de Mulé – Intersubjetividades em Trânsito/Vida Melhor’ é uma iniciativa da CAR, com enfoque de gênero, que surgiu da necessidade de mostrar às comunidades o modo como podem evoluir e trabalhar suas potencialidades, tendo como base projetos já apoiados pela empresa, por meio das associações comunitárias.
Experiência – Dona Valdeir Rosa dos Anjos, 60 anos, do distrito de Mundo Novo, em Souto Soares, abraçou a ideia do projeto e fez os primeiros contatos com as mulheres da localidade. Ela conta que, depois de uma primeira reunião, foi feito contato com a EBDA, em Souto Soares. Após a criação da associação, a CAR implantou o projeto cisternas e, em seguida, as mulheres foram beneficiadas com o projeto de cozinha comunitária. "O início não foi fácil. A gente tinha que sair para Salvador e outras cidades, participando de feiras de agricultura familiar e levando nossos produtos."
Segundo Maria Rita Alves Neta, 40 anos, também integrante da Associação de Mundo Novo, para formar um grupo de 14 mulheres, as primeiras associadas tiveram que ir às comunidades vizinhas porque as que viviam no distrito não acreditavam em suas capacidades. "Na região, não havia projeto e passamos por um período de descrença. Aos poucos, começamos a vender e buscar outras alternativas de comercialização."
Hoje, a comunidade de Mundo Novo desfruta de uma organização que permite às associadas trabalharem poucos dias no mês, a possibilidade de desenvolver outras atividades e ainda obter renda. Com a chegada das máquinas de produção, o trabalho antes feito manualmente ficou mais fácil. "Fizemos dois grupos, somos 17 pessoas e produzimos de forma alternada. Já temos o dia certo do mês para trabalhar. Hoje, por causa das máquinas, fazemos tudo em um dia", diz.
Segundo dona Valdeir, para fazer a primeira construção, as associadas carregavam tijolos, barro e água nas carroças. "Fizemos os tijolos aqui mesmo. Tudo com recursos próprios e ajuda da prefeitura. Adquirimos o maquinário e tomamos empréstimo no Banco do Nordeste."