Cafeicultura desponta no oeste baiano

19/12/2012

 

Cafeicultura desponta no oeste baiano
 
 
 
Consolidado como um dos mais importantes polos de soja, algodão e milho do país, o oeste da Bahia começa a atrair investimentos que poderão torná-lo relevante também na produção de café. A cultura ainda ocupa menos de 1% da área agrícola plantada na região, que soma 2,25 milhões de hectares, mas produtores afirmam que a atividade tem boas possibilidades de se fortalecer tendo em vista algumas características naturais favoráveis ao plantio, facilidades de acesso a crédito e o próprio dinamismo da fronteira agrícola, conhecida pela tecnificação.
 
O café começou a ganhar corpo no oeste baiano há 15 anos, mas nunca "explodiu". Agora, aportes de grupos estabelecidos na região desde a década passada começam a amadurecer e a resistir melhor ao avanço das grandes culturas. Dados da Associação dos Cafeicultores do Oeste da Bahia (Abacafé) compilados pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) indicam que o café ocupou 15,8 mil hectares no polo nesta temporada 2012/13, cerca de 10% do total plantado no Estado. Mas a colheita, estimada em 585,4 mil sacas de 60 quilos, representou 27% do volume estadual, justamente pela maior produtividade.
 
Uma das principais protagonistas desta nova fase de potencial expansão é a Dognani Agropecuária. Instalada no oeste baiano desde 2007, a empresa aposta desde o início no café, a partir da aquisição de 200 hectares de lavouras no município de Barreiras. Em outros Estados, já se dedica à pecuária e ao cultivo de soja, milho e arroz, e pretende começar a produzir cereais no polo da Bahia em dois anos. Mas, mesmo com a diversificação, seus cafezais em Barreiras já somam 616 hectares, dos quais 157 em produção e o resto em formação. "O agronegócio aqui é bem dinâmico", diz Dhone Dognanio, gerente-executivo do grupo na Bahia e presidente da Abacafé.
 
Em linha com a tecnificação que marca a agricultura do oeste da Bahia, toda a produção de café da Dognani Agropecuária é irrigada com pivô central e a colheita é mecanizada. Em 2012/13, a colheita rendeu 16 mil sacas, ante as 18 mil de 2011/12. Cerca de 60% da produção é exportada por meio de tradings e o restante fica no mercado interno. Desde 2007, a empresa investiu cerca de R$ 35 milhões no projeto do café, incluindo aquisição de área, formação das lavouras e máquinas. Dognani afirma que os atuais baixos preços internacionais da commodity não são um desestímulo, e prevê demanda crescente pelo produto. Em 2013, os planos são de elevar a área em 200 hectares. "A gente sempre apostou no café, é paixão. Quem é cafeicultor mesmo não deixa de plantar", diz.
 
Considerado um dos trunfos da produção no oeste baiano, o período de chuvas de seis a oito meses (de outubro a abril) abrange as fases de florada e crescimento do grão e não coincide com a colheita (de maio a setembro), além de alimentar a irrigação. Outra vantagem é a possibilidade de contar com financiamento a juros mais baixos com o Banco do Nordeste. O custo de produção por hectare é alto, mas por saca - entre R$ 300 e R$ 320 - é um dos mais competitivos do mundo, conforme Dognani, já que as vendas saem, em média, por R$ 370. No ano passado, alguns produtores conseguiram comercializar parte da produção com o preço da saca fixado em R$ 500.
 
Irrigada e mecanizada, o que reduz custos com mão de obra, a atividade deverá proporcionar uma produtividade de 42 sacas por hectare em 2012/13, bem acima da média brasileira, estimada em 24,5 sacas por hectare pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O rendimento médio no oeste baiano vinha alcançando 50 sacas por hectares, mas a queda no ciclo atual pode ser explicada pela aceleração da renovação de muitos cafezais, segundo Cesar do Vale, diretor-executivo da Abacafé. "É o grande polo a ser ampliado", reforça João Lopes Araújo, presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé). A maior região de café da Bahia, formada pelo sudoeste, norte e Recôncavo Baiano e dominada por pequenos produtores foi prejudicada neste ano por uma forte seca.
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