'Pacote' para culturas de inverno terá até R$ 480 milhões

18/02/2013

'Pacote' para culturas de inverno terá até R$ 480 milhões

 

O novo plano safra de inverno, que deverá ser anunciado pelo Ministério da Agricultura até o fim deste mês, dará ênfase à produção de trigo, que tem caído nos últimos anos e elevado os preços de um dos produtos mais consumidos no país, o pão francês. O Ministério da Agricultura trata o incentivo à produção da cultura como prioridade, em busca de queda nas importações e redução das cotações.

O pacote terá entre R$ 450 milhões a R$ 480 milhões em crédito para comercialização das culturas de inverno. Apesar de superior ao montante disponibilizado na safra atual (R$ 430 milhões), o valor ficará abaixo da demanda do segmento (R$ 501 milhões), de acordo com uma fonte do governo. Para seguro agrícola, deverão ser destinados de R$ 80 milhões a R$ 90 milhões. Os recursos sairão dos R$ 115 bilhões do Plano de Safra 2012/13.

Outra medida em discussão pelo governo é o reajuste do preço mínimo do trigo. A cultura, segundo uma fonte do Ministério da Agricultura, deverá receber um reajuste no preço para incentivar o plantio. "Está em discussão a renovação do preço mínimo do trigo para incentivar o plantio. Esse ano já tivemos problemas com a queda da oferta e o aumento dos preços e vamos combater isso", disse a fonte.

O pão francês foi responsável por um impacto de 1,04% no IPCA em 2012. Com a previsão de colheita da menor safra de trigo em cinco anos (4,3 milhões de toneladas), o país terá que importar 7 milhões de toneladas. A área plantada deverá cair 12% este ano em relação à temporada passada.

A safra ruim coincide com restrições argentinas à exportação de trigo. Com isso, o Brasil será obrigado a importar volumes elevados do cereal de fora do Mercosul, com o pagamento de 10% de Tarifa Externa Comum (TEC). Normalmente, menos de 5% das importações brasileiras são trazidas de fora do bloco. Nesta temporada, essa fatia deve alcançar entre 35% e 42%.

O setor produtivo nacional espera uma forte alta no custo de aquisição pelos moinhos. No ano passado, a alta superou os 50% e grande parte desse salto já foi repassado para o preço da farinha. Outros repasses devem ser feitos no primeiro semestre deste ano.

Para fontes do governo, o peso do pão no IPCA só é grande devido à dificuldade de inclusão da farinha de mandioca na receita. O projeto de lei 5332/2009, de autoria da deputada Elcione Barbalho (PMDB/PA), cria o "pão brasileiro" com a inclusão de mandioca e derivados na receita tradicional, mas está encalhado desde 2009 na Câmara dos Deputados.

Conforme uma fonte do governo, o lobby das indústrias de trigo consegue paralisar essas iniciativas, que tornariam o pão mais barato ao usar um produto brasileiro e que pode ser cultivado em quase todo o território nacional.

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