Gabinete de emergência tenta conter praga em lavoura de algodão da Bahia

07/03/2013

Gabinete de emergência tenta conter praga em lavoura de algodão da Bahia

 

O Ministério da Agricultura criou um gabinete de emergência fitossanitária na Bahia, com apoio da agência estadual de Defesa Agropecuária, para intensificar o combate à lagarta-da-espiga-do-milho. O aumento da incidência da praga nesta safra ameaça a produtividade das lavouras de algodão no oeste baiano.

O governo federal adotou uma série de medidas emergenciais para controlar o avanço da praga. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, entrou em contato nesta terça, dia 6, com os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, da Saúde, Alexandre Padilha, para que o Comitê Técnico para Assessoramento de Agrotóxicos (CTA) aprove em caráter emergencial o registro de novas substâncias para uso restrito no combate à lagarta.

– Queremos a liberação de duas ou três moléculas já usadas na Austrália e nos Estados Unidos porque os produtos que temos não estão sendo eficientes no tratamento da praga – disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso.

Segundo Pinesso, a lagarta-da-maçã não ataca somente o algodoeiro, mas também as plantações de soja e milho. "Saiu do controle", afirmou, sem estimar os possíveis danos causados pela praga.

Prejuízos

O aumento da incidência da lagarta Helicoverpa zea, mais conhecida como lagarta da espiga do milho, deve provocar prejuízos estimados em R$ 2 bilhões. Somente no oeste da Bahia, onde é maior a incidência da praga, as perdas devem chegar a R$ 1 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Os prejuízos incluem o aumento dos gastos com inseticidas para controle da praga e as perdas de produtividade em lavouras de soja e algodão.

O presidente do Grupo Brasileiro de Consultores de Algodão, Celito Eduardo Breda, que também é diretor da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), calcula que as lagartas já dizimaram 2% da área cultivada com algodão no oeste baiano e prevê que, se não houver controle, as perdas nos próximos 30 dias podem alcançar 4% da produção esperada.

O alerta dos produtores baianos levou o Ministério da Agricultura a decretar emergência fitossanitária para controle da lagarta Helicoverpa zea. Breda, que é especialista no assunto, afirmou que não se trata apenas da lagarta da espiga do milho, também conhecida em outros países como lagarta da maçã do algodão, mas de várias espécies da helicoverpa, o que dificulta o controle das pragas que atacam as lavouras com voracidade.

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