11/03/2013
Mulheres conquistam espaço na economia das comunidades indígenas
Resultado dos trabalhos da EBDA pode ser visto na qualidade de vida das aldeias
Melhorar a qualidade de vida de centenas de mulheres indígenas que vivem no extremo sul do estado é o objetivo da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agricola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), por meio da Gerência Regional de Teixeira de Freitas. As aldeias das etnias pataxó e pataxó hã-hã-hãe recebem periódicas visitas de técnicos do órgão para prestarem orientações sobre os diversos trabalhos voltados ao desenvolvimento socio-econômico das comunidades.
Cursos sobre horticultura orgânica, culinária com produtos derivados da mandioca, doces, geleias, compotas, artesanatos feitos com penas, sementes, tecidos, materiais recicláveis e bijuterias são algumas das capacitações promovidas pela EBDA. Participam dos trabalhos aproximadamente 100 mulheres dos municípios de Alcobaça, Prado e Itamaraju.
A técnica da Empresa, Rosália Ferreira, explica que as atividades de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para mulheres indígenas representam uma grande conquista. "Conseguimos capacitar diversas índias para executarem trabalhos que agregam renda para as famílias. O resultado pode ser visto na qualidade de vida das aldeias, onde foram concretizadas ações da EBDA."
Agroecologia – Também são realizados trabalhos na linha agroecológica, onde são demonstradas práticas de agricultura orgânica na produção de alimentos. Cursos para cultivo de hortas, oficina de compostagem orgânica, defensivos naturais e homeopatia são algumas das ações executadas pela EBDA, com o foco ecológico sustentável.
Segundo Rosália, "a intenção a partir dessas atividades é estimular o uso de alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos e a comercialização dos mesmos, já que é um produto de excelente qualidade e cultivados por índias". A índia pataxó hã-hã-hãe Eliandes de Jesus Silva, da aldeia Renascer em Alcobaça, diz que as atividades realizadas na aldeia contribuíram bastante para o acréscimo da renda das famílias.
Ela afirma que a comunidade aprendeu a "plantar corretamente a mandioca, o milho e o feijão. Já estamos comercializando esses produtos na feira livre. A partir da capacitação da EBDA, também foi possível fazer peças de artesanato, que usamos no dia a dia e em eventos, como colares, pulseiras e tangas. Acredito que estamos caminhando para a independência financeira".
Ferramentas de associativismo e cooperativismo
Alface, cenoura, quiabo, plantas medicinais, couve, coentro, entre outras leguminosas, são cultivados pelas mulheres pataxós. O trabalho é realizado em família. Todos se envolvem nas atividades – filhos, netos, sobrinhos e até mesmo os esposos, que apoiam as iniciativas.
As ferramentas de associativismo e cooperativismo andam lado a lado com as indígenas dessa região, que, juntas, formaram uma associação comunitária na aldeia Renascer em Alcobaça, para as mulheres da etnia pataxó hã-hã-hãe.
Reuniões para divulgação de políticas públicas para mulheres, palestras, seminários e cursos são realizados na associação. "As mulheres indígenas já possuem Declarações de Aptidão ao Pronaf (DAP) e conhecem seus direitos", enfatiza a técnica Rosália Ferreira.