18/03/2013
Bahia amplia a produção de caranguejos
A Bahia começa a colher os resultados dos projetos de recuperação populacional do caranguejo-uçá-tipo mais comum na costa brasileira.
Graças a iniciativas como a criação das reservas extrativas de Iguape, Corumbau, Canavieiras e Cassurubá, e os programas de repovoamento de mangues, o Estado tem ampliado a produção e reduzido a importação.
“A obediência ao defeso (período em que a extração é proibida), os programas de repovoamento e conscientização do setor são os principais responsáveis pelo aumento dos estoques de caranguejo na Bahia”, diz o analista ambiental e engenheiro de pesca do Ibama-BA, Armando Magalhães.
Não há dados oficias sobre a população atual de caranguejos do Estado. O último estudo produzido pelo Ibama, divulgado em 2011, aponta um aumento da produção do crustáceo entre os anos de 2006 e 2007.
Em 2003, a Bahia foi afetada pela mortandade em massa de caranguejos, que atingiu as regiões Norte e Nordeste e chegou até o Espírito Santo. Apenas na régio da Caravelas e Nova Viçosa, no extremo sul do Estado, a doença dos caranguejos Ictárgico causou a morte de 45 milhões de animais da espécie.
O aumento da produção baiana já pode ser sentido nos restaurantes que vendem o crustáceos em Salvador e que deixaram de importar do Pará e Maranhão. “Há dois anos ou mais que não compramos caranguejos de fora. Os fornecedores compraram de Canavieiras e Caravelas. A qualidade é melhor”, diz Joilson Rodrigues, gerente do Restaurantes Cabana da Cely. Os restaurantes Meu Chapa e Caranguejo de Sergipe também comercializam caranguejos baianos.
Bom exemplo
(Canavieiras, município (a 589) km de Salvador), é um exemplo bem-sucedido de retomada populacional. A reserva extrativista de Canavieiras foi criada em junho de 2006 pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente. São mais de 100 mil hectares, fiscalizados pelo ICMBio.
Segundo o analista ambiental da Resex, Wellinson Schuman, o sucesso da reserva é medido pelo número de caranguejos apreendidos durante o período defeso. Foram apenas 500, este ano.
Em 2011, o número registrado foi de 6 mil unidades para Schuman, no entanto apenas a fiscalização é insuficiente. “ A qualidade do mangue e da população de caranguejo depende também da conscientização dos comerciantes e atravessadores.
Repovoamento
A educação ambiental é o principal objetivo do projeto Puçá, programa de manejo e gerenciamento do caranguejo-uçá, realizado pela Bahia Pesca. Criado em 2007 pelo Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA), em convênio como governo do Estado, o programa também prevê a preservação da fêmea do caranguejo e o repovoamento dos manguezais.
Ao todo , já foram nove milhões de filhotes de caranguejos criados em laboratórios e depois liberados nos mangues de Santo Amaro, Ilhéus e Camamu.
Apesar do número, a estimativa é de que apenas 25% a 30% do total consiga atingir a fase adulta, segundo diretor-técnico da Bahia pesca, Jorge Figueiredo. “ O projeto prevê um retorno econômico a longo prazo, como aconteceu como projeto Tamar”, afirma. Figueiredo reconhece que o repovoamento só vai mostrar resultados econômicos efetivos daqui a 10 ou 15 anos.