Fibra da bananeira ganha utilidade artesanal para mulheres em Camamu

02/04/2013

Fibra da bananeira ganha utilidade artesanal para mulheres em Camamu

 

Apesar do artesanato da fibra de bananeira ser coisa nova no Projeto de Assentamento Mariana, em Camamu, 20 produtoras aprenderam recentemente a arte com as equipes da Assessoria Técnica Social e Ambiental (Ates), dos escritórios da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) nos municípios de Camamu e Gandu, e já utilizam a técnica como uma fonte de renda.

Segundo a engenheira agrônoma da EBDA, Carine Reis, o assentamento tem potencial para produção de banana, o que não era valorizado. "Os custos com o cultivo eram altos e os produtores estavam desanimados", disse a presidente da Associação de Agricultores do Assentamento Mariana, Josinete de Jesus, 35 anos.

Carine verificou a grande quantidade de folhas de bananeira que não eram aproveitadas, mas que oferecem vários tipos de fibra, como capa externa (pobre), seda interna (nobre), renda (intermediária) e linha, ideais para o artesanato. Em parceria com o Núcleo Operacional de Gandu, foi feito um levantamento para a realização do curso, utilizando técnicas que pudessem aproveitar a matéria-prima.

"Antes, as folhas da bananeira ficavam jogadas, faziam um amontoado e eram subutilizadas. Hoje, encontramos novas utilidades, produzimos bolsas, fruteiras, luminárias e outras peças, e queremos buscar novas formas de usar a matéria-prima", disse a artesã Gelsa Santos Souza, 58 anos.

 

Capacitação - "O artesanato é de extrema importância para o desenvolvimento socioeconômico das famílias, oferece amplas oportunidades de emprego e tem baixo custo de investimento. Por isso realizamos, no final de dezembro, uma capacitação que preparou a comunidade para o aproveitamento integral da cultura", disse Carine.

O assentamento possui uma demanda de projetos de plantio de bananeira em condição de sistemas agroflorestais (SAFs), que são acessados por intermédio do crédito Apoio à Mulher, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O grupo, que hoje vive da agricultura e do artesanato, também trabalha na produção de polpas e doces, utilizando frutas regionais como o cupuaçu, açaí, abacaxi, jaca, limão, carambola e abacate.

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