Entrevista com o Secretário Eduardo Salles
BAHIA ECONÔMICA - Essa é a maior seca dos últimos 50 anos. Que medidas o Governador do Estado vem tomando para resolver o problema?
EDUARDO SALLES – Na verdade, essa é a maior seca da história. Estamos há três anos com índices pluviométricos baixos. Por isso, a grande questão que se discute hoje é como conviver com a seca. Temos que aprender a conviver com o semiárido. Quantos às medidas, elas se dividem em duas: emergenciais e estruturantes. As primeiras estão sob a responsabilidade da Casa Civil e consistem, por exemplo, em ações como uso de carros pipas e entrega de cestas básicas. Já as medidas estruturantes têm como pilar básico a reserva alimentar. A partir dessa linha de ação é desenvolvido um trabalho baseado em água para o consumo animal. Por exemplo, poços onde há ocorrência de água salobra são destinados para o consumo animal. Outras ações são: criação do Seguro Garantia Safra, instrumento que firma parceria entre os Governos federal, estadual e municipal e produtores rurais; aquisição de 120 retroescavadeiras para construção de barragens subterrâneas voltadas para os municípios afetados pela seca; perenização de rios; construção de poços artesianos; doação de 40 mil animais entre ovinos e caprinos quando há pastagens disponíveis, dentre outras.
BE - Os produtores reclamam que as medidas adotadas são paliativas e que eles não têm assento no comitê de convivência com a seca. Como o senhor vê isso?
ES – É injusto classificá-las como medidas paliativas. Reconhecemos que são medidas insuficientes e sempre o serão por conta da dimensão do problema da seca. Só mesmo muita chuva para solucionar essa situação bastante adversa. Sobre o Comitê, estamos preparando o Comitê Oficial da Agropecuária que concentrará esforços no problema da seca e nos gados. O Comitê já foi aprovado pelo governador Jaques Wagner e agora estamos na fase de ajustes desse instrumento.
BE - Em relação às medidas adotadas pelo governo federal, o que o senhor pode destacar?
ES – São medidas fundamentais para minimizar os efeitos da seca que, vale salientar, é um problema de grande dimensão. Dentre as medidas, destaco o Seguro Garantia Safra, o Bolsa Estiagem, o Crédito Emergencial, ações de abastecimento de água e o Milho Venda Balcão – milho subsidiado pelo governo que custa 18 reais a saca.
BE - Os produtores pedem também que seja facilitada a compra de milho pelo estado e município sem licitação. Isto está sendo equacionado?
ES - O problema do milho na Bahia está associado à logística. A questão é a velocidade do transporte desse grão para chegar ao estado no tempo desejado. A dificuldade está sendo em conseguir carretas para transportar o milho para a Bahia. Os proprietários desse transporte preferem prestar o serviço na região centro-sul, pois para eles é mais vantajoso economicamente. Por isso, esse problema ainda não foi solucionado, apesar de o estado está bancando o frete. Para o governo da Bahia, a melhor alternativa é realizar esse transporte via cabotagem (por meio de navio). Por outro lado, esperamos que a Companhia Nacional de Abastecimento se sensibilize diante desse impasse.
BE - Os produtores querem que os carros pipas sejam gerenciados pelos municípios. Isto é possível?
ES - Está é uma questão que prefiro não responder, pois é um assunto da competência da Casa Civil.
BE - Em relação à ampliação do crédito junto ao BNB para os pequenos e médios empresários e agilização da burocracia para contratação. Alguma coisa foi feita?
ES – Até o momento essa é um assunto ainda não resolvido. Entretanto, apoiamos as medidas que contemplam os pequenos e médios produtores.
BE - Que outras ações o senhor gostaria de destacar?
ES – Acho importante reiterar que é grande a dimensão da seca. O único fator que pode resolver definitivamente esse problema e recuperar os mananciais é a chuva. Enquanto os altos índices pluviométricos não aparecem, outras secas virão e temos que saber conviver com essa realidade. É importante afirmar que precisamos estar preparados para o período pós-seca. O que os governos podem fazer é no máximo minimizar os efeitos dela e reestruturar o setor agropecuário da Bahia.