Estiagem castiga região do cerrado e produtores contabilizam as perdas
Mais uma vez a estiagem está castigando as lavouras do chamado Mapitoba, a nova fronteira agrícola que engloba Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, e os agricultores já começam a contabilizar os prejuízos.
Além da falta de chuvas, o forte ataque de lagartas também preocupa os produtores de soja na safra 2012/13. “Sem dúvida, esse é o pior ano para a agropecuária do Mapitoba”, disse Eduardo Salles, Secretário da Agricultura da Bahia e Presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Agricultura.
“Nós temos três variáveis muito complicadas nessa safra: preços mais baixos, uma incidência anormal de pragas e a seca”, enumera.
Além de comprometer o rendimento das áreas de sequeiro do oeste da Bahia, a estiagem está forçando a suspensão de perímetros irrigados, conta o secretário.
“Ou usamos a água para consumo humano ou para irrigação”, explica. Na opinião de Salles, a oferta de crédito ao agricultor será fundamental para garantir a expansão das lavouras na temporada 2013/14. “Não basta uma condição satisfatória de preço, o governo precisa botar crédito na mão do produtor para podermos ter ampliação de área”, diz ele.
A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) calcula que um total de 2,251 milhões de hectares tenham sido cultivados em 2012/13, 10,5% mais que 2.037 milhões de hectares semeados em 2011/12. Destes 1,219 milhão de hectares foi destinado à soja, um incremento de 6% em relação ao 1,15 milhão de hectares plantado em 2011/12.
A produtividade de oleaginosa é estimada pela associação em 37,6 sacas por hectare, 27,7% menos que as 52 sacas por hectare colhidas em 2011/12. Os dados divulgados no fim de março pela Aiba, correspondem a 20% da área colhida e serão atualizados no decorrer da safra.
Os trabalhos tiveram início na segunda metade de fevereiro e tendem a ser concluídos na primeira quinzena de maio, informa a entidade.
Quebra de Safra
Em estados como o Piauí, a quebra da safra de soja deve ser ainda maior. Segundo Sergio Bortolozzo, sojicultor e vice-presidente da Federação de Agricultura do Estado do Piauí (Faep), as lavouras que, em média, tinham potencial produtivo de 50 sacas por hectare devem apresentar rendimento de 35 e 40 sacas por hectare.
Ele observa que as perdas devem ser maiores nas proximidades de Bom Jesus, Santa Filomena e Corrente, municípios que ficam no extremo sul do Estado. “Foram mais de 40 dias de estiagem em algumas regiões ao sul do Piauí, na fronteira com a Bahia”, comenta Bortolozzo.
De acordo com o vice-presidente da Faep, os produtores piauienses devem deixar de colher entre 10% e 15% da área total cultivada por causa da seca. Bortolozzo, cuja propriedade fica em Uruçuí, no sudoeste do Estado, explica que a quebra deve ser menos acentuada nas lavouras localizadas na divisa com o Maranhão. “Não fomos tão afetados, o máximo que tivemos de seca aqui foram 18 dias”, afirma.