17/04/2013
Seca impõe racionamento em 96 municípios
Devido à seca, a Embasa impôs racionamento de água em 96 municípios dos 362 que abastece. Além disso, a empresa monitora áreas com abastecimento considerado crítico.
Em Itaparica, onde o racionamento começou na terça-feira, 16, o nível da Barragem de Tapera chegou a 800 mil m³ dos 5 milhões m³ que é a sua capacidade para abastecer 26 localidades e mais um distrito do município de Jaguaripe.
Na terça, foi dia de ajustes para se adequar à novidade de um racionamento longo. Itaparica já viveu situações de poupar água, pois é um dos mais conhecidos pontos de veraneio da Bahia, mas a determinação oficial de racionamento surpreendeu.
"A medida extrema foi adotada porque as tradicionais chuvas de março e abril não caíram, deixando a barragem nesse estado terrível", disse Ariosvaldo Gama, gerente do escritório da Embasa em Itaparica e Vera Cruz.
O presidente da Embasa, Abelardo de Oliveira Filho, em entrevista exclusiva, garante que o racionamento não deve ser adotado em Salvador. Dos 417 municípios baianos, 55 não são abastecidos pela Embasa. Nesta lista estão Juazeiro e Pilão Arcado, na região Norte, e Correntina, no sudoeste baiano.
Caetité (a 754 km de Salvador) convive com o racionamento há 40 dias. O prefeito José Barreira Filho diz que a escassez prejudica o funcionamento de creches e escolas. "Imagine uma creche, onde é necessário higienizar as crianças, sem água", completa. O prefeito conta que, na zona rural, o volume dos reservatórios caiu 60%.
Repetição - Situada em uma região considerada chuvosa, Vitória da Conquista (a 509 km de Salvador), está racionando água pela segunda vez. A primeira foi em maio de 2012.
Em nota, a prefeitura informou que está buscando recursos para garantir autonomia de abastecimento. Enquanto isso, recorre aos carros-pipa.
Embora esteja listada pela Embasa como uma das áreas atingidas pelo racionamento, o município de Capim Grosso (a 272 km de Salvador) vê a medida apenas como ameaça. "Estamos avisados que a capacidade atual da barragem é de 60 dias. Torcemos para chover", diz o secretário de Agricultura do município, Antônio Martinho Carneiro.
Moradores de Itaparica ajustam hábitos à pouca água
Para operacionalizar o racionamento de três meses em Itaparica, o território foi dividido nas áreas A e B.
A área A inclui as localidades de Penha, Aratuba, Barra do Gil, dentre outras. Por ter menor concentração de habitantes esses locais têm água dia sim e dia não.
Já a área B (Mar Grande, Amoreira, Bom Despacho, dentre outras) tem água dois dia dias sim e um dia não. Informações podem ser obtidas pelo 0800-0555-195.
Adaptação
Josiene Souza da Rocha, moradora da Vila de Matarandiba, pega água da cisterna de uso comum, abastecida por um minadouro. “As vezes tem só um pouco. Depende da sorte”, conta Josiene que usa água para tomar banho, cozinhar e lavar roupa.
“Para beber ainda tem um pouquinho em casa. Quando acabar vamos ter que comprar água mineral”, diz.
Dono de um mercadinho em Barra Grande, João Barreto vende, normalmente dois vasilhames de 20 litros de água mineral por dia.
Ontem, até o inicio da tarde já tinha comercializado 10. Apesar do lucro, ele não comemora.
“A falta de água na ilha espanta os turistas e isso é muito ruim para todos que vivemos do comercio”.
Moradora de Barra do Gil a dona, Rita Conceição Dias adota, medidas para economizar a tão escassa água.
“Tomo banho com metade da água do balde. A outra metade eu lavo roupa. Os pratos eu espero ficar em maior número para poder lavar. A água que não que não serve nem parta cozinhar e nem para beber , eu jogo no sanitário”, ensina.