Seca faz produção de flores cair na Bahia
Foto: Divulgação Jornal A Tarde
Os produtores de flores do município de Maracás ainda tentam recuperar as perdas ocasionadas pela seca que atingiu o estado nos últimos anos. Os prejuízos foram de 50%, em média, mas há agricultores que registraram um índice de perdas de até 90% da produção.
Maracás é o principal polo produtor da cultura na Bahia, com aproximadamente 15% de toda a área destinada ao plantio de flores na Bahia, de acordo com dados do último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“O que tem acontecido com as flores é o mesmo problema que estamos vivenciando em outras atividades da agricultura e da pecuária. É a estiagem prolongada”, diz o secretário da Agricultura de Maracás, Joel Dias dos Santos.
Segundo ele, as perdas na região ultrapassam 50% do que havia sido plantado. “A seca é tão severa que prejudicou até as roseiras, que são plantas bem mais resistentes que as outras”, diz.. Para complementar o quadro de preocupação, a chamada “invernada” – período de chuvas entre junho e setembro – foi abaixo damédia esperada.
Segundo Santos, historicamente Maracás recebe uma média de 200 milímetros de chuvas no período, porém este ano foram apenas 80 milímetros na região. “Choveu, mas não em um volume suficiente para repor os níveis dos reservatórios. Pelo menos tivemos o reconhecimento da situação de calamidade ampliada pelo estado por mais 90 dias”, diz.
O produtor rural Reginaldo Fernandes está apostando em dias melhores, apesar do cenário. “Perdi quase tudo o que plantei no ano passado, mas no meu caso, pelo menos, a tendência é recuperar o prejuízo”, diz.
Ele viu há pouco menos de um ano a média semanal de três mil dúzias produzidasm cair para aproximadamente 300 dúzias.Hoje ele está conseguindo produzir 500 dúzias por semana e acredita que conseguirá retomar o ritmode produção normal até o mês de março.
“Em março, espero voltar a produzir as três mil dúzias por semana”, diz. Para ele, mais difícil que superar a seca é vencer as dificuldades para a comercialização das flores. Assim como os outros produtores de flores baianos, Fernandes enfrenta dificuldades para a comercialização dos produtos.
“Nós precisamos de mais visibilidade, mas não conseguimos chegar a isso sozinhos”, diz, cobrando mais apoio do poder público.Outra dificuldade tem relação com o ordenamento do trânsito nas cidades de Salvador e Feira de Santana, os dois maiores mercados das flores baianas. “As cidades não permitem o tráfego de caminhão,mas,para nós, é inviável mandar em veículos pequenos”.