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14/10/2013

Secretário da Agricultura propõe criação de selo da sustentabilidade da água

 

Fotos: Imprensa SEAGRI
(Luis Eduardo Magalhães/ BA) - “Desde que assumi a Secretaria da Agricultura (Seagri), sempre quis criar um selo de sustentabilidade que estimulasse empresas e produtores a utilizar a água com eficiência”, destacou o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, durante abertura do XXIII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (Conird), na noite do último domingo (13), no Hotel Saint Louis, em Luis Eduardo Magalhães, Oeste baiano. Salles, que é engenheiro agrônomo e acredita no potencial da região para a agricultura irrigada, defende a ideia de criação conjunta entre a Seagri e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), de um selo que oportunize produtores e empresas que utilizam irrigação de forma sustentável, acumular pontuação por iniciativas em prol do meio ambiente. Em contrapartida, dentre outras ações, o Estado priorizaria o atendimento das demandas dentro do governo, para estes que se tornarão colaboradores com o meio ambiente.

“O acúmulo de pontuação se daria quando o cidadão realizasse a substituição de tecnologias e práticas capazes de minimizar os efeitos da atividade de agricultura irrigada no meio ambiente, como a iniciativa de instalar uma rede metereológica para poder utilizar somente a água que a planta necessita, em função da evapotranspiração, ou quando houver a troca de um sistema de irrigação por inundação por um sistema de irrigação localizado, ou até mesmo quando acontecer a troca de um sistema de pivô central comum por um mais moderno. O produtor acumularia pontuação que poderia ser trocada talvez por um atendimento prioritário nas outorgas de água, nas demandas dentro do governo e utilizar isso como marketing para sua própria empresa”, explicou o secretário da Agricultura.

Para o prefeito de Luis Eduardo Magalhães, Humberto Santa Cruz, palestrante da noite, a proposta é interessante e chama a atenção dos produtores para a preservação dos recursos naturais num momento em que a atividade irrigada tende a crescer com responsabilidade. “Temos condições e vantagens competitivas indiscutíveis no Oeste baiano, mas é preciso consolidar a atividade a partir da definição do uso da água para a agricultura, indústria e geração de energia, pois sabemos que o consumo humano e dessedentação animal são prioridades”, destacou durante a sua palestra.

Humberto levantou a necessidade de aprovação de uma medida provisória que tramita no Senado, sobre a ampliação do horário reservado para a irrigação. “Hoje nós temos 60 horas semanais. Queremos ampliar essa capacidade para mais 40 horas, respeitando os horários de uso, com vistas a dar mais eficiência à atividade e com custo menor”, pontuou.

Diante da necessidade de avanço da atividade irrigada no Oeste da Bahia, o secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, defende que é preciso conhecer a disponibilidade de recursos hídricos e de que maneira a água será distribuída, de forma a garantir o uso para todos, respeitando os limites de conservação. “Um dos grandes desafios para a produção agrícola é o uso de tecnologias que aproveitem mais água e sejam mais eficazes no aumento da produção, mas tudo isso deve ser feito a partir de um estudo sobre a disponibilidade hídrica da região e do uso de pesquisas que apontem sistemas mais modernos e sustentáveis”, disse.

Geração de desenvolvimento

O presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid), Helvécio Saturnino, acredita que o crescimento da agricultura irrigada de forma adequada vai gerar desenvolvimento para a região. “Trabalhos internacionais demonstram que quando a atividade é desenvolvida de forma responsável e sustentável, a geração de novos postos de trabalho e de riquezas é certa. Você acaba melhorando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das populações”, destacou.

O Oeste da Bahia é uma região que possui 116 mil hectares irrigados, o que representa muito pouco dentro dos 2,5 milhões de hectares da área total que ainda poderá ser explorada, cumprindo todas as exigências ambientais. O potencial hídrico da região é enorme, considerando a existência de rios perenes e do aquífero Urucuia. As áreas com índice pluviométrico entre 1.500 e 1.800 mm de chuva por ano já foram ocupadas com culturas de sequeiro; nas áreas com chuvas entre 1.000 e 1.100 mm, que estão justamente localizadas onde o aquífero Urucuia é mais raso, são as áreas que se pretende incorporar ao sistema produtivo, com a implementação da irrigação.

O congresso

O Conird é uma realização da Associação Brasileira de Irrigação e drenagem (Abid), Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e Governo da Bahia. O objetivo do encontro, que vai até o dia 18 de outubro, é fortalecer o debate em favor do desenvolvimento sustentável do agronegócio calcado na agricultura irrigada, através do fomento à pesquisa. São esperadas durante o evento a presença de 500 pessoas em seminários, oficinas e conferências voltadas para especialistas, estudantes e profissionais do setor.

Também se fizeram presentes na abertura do Conird, o presidente da Aiba, Júlio Busato; a reitora da Universidade Federal do Oeste Baiano, Iracema Veloso; o representante do Ministério da Agricultura, Demétrios Christófilis, o representante do Ministério do Meio Ambiente, Almir Silva; representante da Embrapa, o diretor da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Paulo Emílio Torres; o superintendente de Irrigação da Seagri, Marcelo Nunes e o superintendente de Desenvolvimento da Agropecuária, Raimundo Sampaio, e a diretora do Inema, Márcia Telles, dentre outras autoridades locais.

 

Fonte:
Imprensa Seagri
Jornalista: Lívia Lemos/DRT 3461
Contato: (71) 3115-2794
14 de outubro de 2013

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