noticia 283052

03/02/2014

Nova soja transgênica controla ataque da lagarta helicoverpa

 

Na cidade matogrossense de Ipiranga do Norte, o proprietário da Fazenda Mano Júlio, Marino Franz, já está concluindo a colheita nos 16 mil hectares de soja que possui,da qual 90% será exportada para a China. Como a grande maioria dos sojicultores, ele usa sementes transgênicas e, nesta safra, foi um dos que apostaram na nova tecnologia da multinacional Monsanto, a Intacta RR2 Pro, em 18% da área plantada.

Franz afirma que apesar da nova tecnologia custar 70% a mais que a Roundup Ready (RR1), desenvolvida pela mesma empresa, o investimento foi lucrativo.

“Não precisei fazer aplicações contra a helicoverpa (lagarta que ataca plantações de soja, milho e algodão) , o que, além da economia com os inseticidas, significou menos gastos com mão de obra para aplicá-los. A comodidade fica de brinde e há aumento da produtividade. Isso dá uns 8% a mais de lucro para o pro- dutor", afirma Franz.

Lançada em julho do ano passado, a nova semente da Monsanto vem mostrando os primeiros resultados comerciais na safra 2013/2014. Sojicultores do Mato Grosso, maior produtor do grão, e da Bahia que a usaram relatam benefícios à sanidade da planta e à produtividade.O proprietário da Fazenda Recanto, em Lucas do Rio Verde (MT), Gilberto Eberhardt, plantou 85 dos 510 hectares dessa safra de Intacta.

“Houve um aumento da sanidade das folhas e a planta perdeu menos florada. O enchimento do grão também é mais uniforme”, disse. O sojicultor conta que poupou R$ 150 por hectare ao dispensar o uso de defensivos contra a helicoverpa armigera. Ele afirma que precisou fazer apenas duas aplicações contra sugadores, pragas que não são alvo da RR2. O normal, com a RR1, seriam sete.

Eberhardt pretende expandir o uso da semente, no próximo ano, para o percentual máximo de 80%. Os outros 20% são recomendados para a prática de refúgio. Essa área deve ser ocupada com soja convencional ou transgênica
da geração anterior. O objetivo é cruzar as pragas geneticamente resistentes a RR2 com as do refúgio, produzindo insetos vulneráveis. Franz, ao contrário de Eberhardt, aumentará a área de Intacta gradualmente. Ele prefere aguardar os mercados de sementes e defensivos que, na opinião dele, devem reagir reduzindo os preços.

“Tem que ver se a Intacta não vai ficar mais cara. O produtor vai observar tudo isso e fazer as contas para ver o que compensa mais”, diz Franz. Ao contrário do Mato Grosso, a colheita na Bahia começa agora. Cerca de 100 produtores usaram a Intacta. Sojicultor, agrônomo e presidente da Associação de Produtores de Sementes da Bahia (Aprosem-Ba), Celito Missio plantou 700 hectares dela em Luis Eduardo Magalhães.

Ele aprovou o resultado, mas lembra que o produtor deve continuar de olho na lavoura. A nova tecnologia promete uma supressão da helicoverpa, ou seja, um controle parcial e não protege contra
todas as ameaças à soja.

Missio afirma que o prejuízo “incalculável” causado pela lagarta na região, em 2013, tornou os produtores conscientes da importância do monitoramento constante e do manejo integrado.

A Intacta é a primeira semente de soja Bt do Brasil. Na composição dela há uma proteína derivada da bactéria bacillus thuringiensis (Bt). As lagartas-alvo da tecnologia – lagarta da soja; lagarta falsa medideira; lagarta das maças; e broca das axilas ou broca dos ponteiros –, ao se alimentarem das folhas, ingerem essa proteína que lhes causa a morte. A semente ainda é resistente ao herbicida glifosato, assim como a RR1.

Segundo a Monsanto, com a redução das aplicações e a produtividade adicional média de 6,38 sacas por hectare, há uma economia, por hectare, de R$ 294,20, descontado o valor da tecnologia.

Tags
soja helicoverpa
Galeria: