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09/06/2014

Novos tipos de soja reduzem prejuízos

 

Três novos cultivares de soja desenvolvidos pela Embrapa Cerrados, em parceria com a Fundação Bahia, estão sendo usados no oeste baiano para combater as nematoides, pragas que chegam a causar até 40% de perda nas lavouras. Os novos tipos do grão – o BRS 7980 (convencional) e as variedades transgênicas BRS 8180 RR e BRS 8280 – também aliam à resistência o aumento da produtividade.

Elas foram usadas de forma experimental na safra 2013/2014, por produtores e representantes de empresas que produzem sementes – de estados do cerrado, como Mato Grosso, Goiás e Bahia, em quantidade suficiente para ocupar, no total, de 80 a 100 mil hectares. As sementes estarão disponíveis para o mercado na safra 2014/2015 e serão comercializadas pelas empresas membro da Fundação Bahia.

Gerente da J&H Sementes, Álvaro José dos Santos Quarto plantou 200 de 430 hectares de soja usando esses três novos cultivares, em Correntina, a 980 km da capital. Ele conta que a produção era inviável, nessas áreas, com soja convencional e transgênica.“Colhemos, em média, 55 sacas por hectare, o que é um ótimo resultado para quem antes não colhia nada”, diz. As nematoides danificam o sistema radicular da planta, dificultando a absorção de nutrientes. Elas atacam diversas culturas. Lavouras como as de milho e algodão, que costumam acompanhar a soja, podem beneficiar-se dos efeitos desses cultivares resistentes, já que costumam herdar essas pragas.

Produtividade

O pesquisador da Embrapa Cerrados André Pereira explica que somente o controle químico não é suficiente para controlar os ataques das nematoides. O caminho mais indicado é o melhoramento genético, gerando materiais resistentes como esses. Pereira ressalta que há dez anos as lavouras de soja estão estagnadas em produtividade. “Os custos têm aumentado, o produtor investe em alta tecnologia, mas havia esses pontos que seguravam a produtividade”, diz. A BRS 7980, convencional, traz resistência às nematoides de cisto (raças 1, 3 e 5) e de galha. A produtividade média foi de 61,8 sacas por hectare, mais do que a média de 42 sacas do oeste baiano, chegando a 73 sacas.

A BRS 8180 RR, além das nematoides, oferece resistência ao vírus da necrose da haste. Esse controle é interessante devido ao aumento da população de mosca-branca, transmissora do vírus, diz André Pereira. Esse vírus chega a produzir perdas de até 80% na lavoura. A produtividade média dela foi de 74,8 sacas/hectare. Já a BRS 8280 apresentou produtividade média menor, de 65,6 sacas.Os dois tipos transgênicos podem ser usados na área de refúgio da soja Intacta, da Monsanto, resistente às lagartas, a exemplo da Helicoverpa armigera. Com resistência ao herbicida glifosato, esses cultivares são suscetíveis à proteína contida na Intacta.

O refúgio é importante para preservar essa tecnologia. A área propicia o cruzamento de pragas resistentes e não resistentes, gerando uma população suscetível. “Sem refúgio, vamos perder a tecnologia a curto prazo,como vem acontecendo com o milho”, diz André.

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