Commodities Agrícolas
Pressão dos fundos
O mercado do café arábica operou de forma volátil e fechou com perdas para os investidores ontem, pressionado pelos movimentos dos fundos especulativos. Os contratos do grão com vencimento em setembro, que passaram a ser os mais negociados, encerraram a sessão na bolsa de Nova York com queda de 0,37%, ou 65 pontos, a US$ 1,758 por libra-peso. Segundo Rodrigo Costa, analista da Archer Consulting, a atual situação climática no Brasil não é mais uma preocupação para o mercado do café, já que as recentes chuvas ficaram concentradas ao sul do "cinturão do café", em Minas Gerais, e ainda não há risco de geada nas áreas produtoras. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica teve recuo de 0,34%, para R$ 398,10 a saca de 60 quilos.
Embolsando lucros
Após uma alta expressiva nos preços do suco de laranja na última sexta-feira, os investidores decidiram embolsar alguns lucros, forçando uma queda nas cotações ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do produto concentrado e congelado com entrega em setembro fecharam com retração de 260 pontos, a US$ 1,639 por libra-peso. Os ganhos anteriores haviam ocorrido depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu sua estimativa para a safra de laranja da Flórida. Como a revisão para baixo já era esperada pelos analistas, a elevação da commodity só ocorreu dias depois da divulgação do relatório, após ajustes técnicos. No mercado spot paulista, o preço da laranja pêra in natura apurado pelo Cepea/Esalq subiu 1,57%, para R$ 10,33 a caixa de 40,8 quilos.
Oferta elevada
Com os investidores de olho nas projeções de oferta e demanda para a próxima safra, os preços da soja registraram queda ontem na bolsa de Chicago. Os contratos do grão com vencimento em agosto encerraram o pregão viva-voz com recuo de 2,25 centavos, a US$ 13,6725 o bushel. A última estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que os estoques globais de passagem devem subir 22,4% entre a safra atual e próxima. Segundo analistas, o cenário para os preços da commodity é ainda mais "baixista" levando-se em consideração as previsões de El Niño, o que pode elevar o volume de chuvas no Hemisfério Norte. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá caiu 0,97%, para R$ 70,14 a saca.
Safra recorde nos EUA
A perspectiva de uma nova produção recorde de milho nos Estados Unidos na safra 2014/15 abriu mais um espaço para perdas na bolsa de Chicago. Os contratos para setembro fecharam com recuo de 6,25 centavos, a US$ 4,3675 o bushel. Para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção americana que começa a ser colhida em agosto deve somar 353,97 milhões de toneladas. Com as últimas chuvas que têm afetado o Meio-Oeste do país, a produtividade das lavouras pode ficar acima do esperado e elevar o volume produzido, de acordo com analistas. Até o último domingo, 76% das lavouras de milho do país estavam em situação "boa" e "excelente". No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa caiu 0,68%, para R$ 26,24 a saca de 60 quilos.