Novo cenário para o manejo da cabruca baiana
A recuperação do sistema agroflorestal cabruca ganha força e expansão no setor cacaueiro. O sistema permite a conservação ambiental, de solos, águas e da biodiversidade do Bioma Mata Atlântica. A exemplo, inúmeras espécies da flora e fauna nativas se abrigam e convivem com os cacauais cultivados neste sistema. “Com a revisão do marco regulatório feita pelo Governo Baiano, esta prática assume ares de conservação produtiva”, disse o diretor da Ceplac Helinton Rocha. A revisão possibilitou também, o manejo tecnológico da cabruca com o aproveitamento de sub produtos de manejo e a recuperação da produção de cacau na região do Sul da Bahia.
“Apesar do sistema cabruca ser considerado uma modalidade agroflorestal só a revisão do marco regulatório estabelecido pelo Decreto Florestal 15.180/2014 poderá promover a efetiva proteção ambiental”, disse. Ele lembrou ainda, que os atos normativos que detalharão a prática do manejo da cabruca está em discussão na Bahia em busca de sua conjugação com uma série de condicionantes que promoverão a proteção ambiental. Esse debate já ocorreu no Espírito Santo e estabeleceu mecanismos práticos e com sucesso.
Helinton destaca que dentre as vantagens da prática está o aumento da produtividade da cacauicultura sob o sistema cabruca. Não é incomum produtividades de 10 arrobas/hectare e que com a adoção das tecnologias validadas pela CEPLAC poderão alcançar patamares superiores a 50 arrobas/hectares. Quando excessivamente sombreadas estes novos marcos regulatórios permitirão, por exemplo, o manejo de sombreamento que dosa a quantidade de luz a ser ofertada aos cacaueiros, por meio de operações de poda das árvores. Quando a luminosidade for excessiva, em desconforto ambiental ao cacaueiro, o produtor será orientado ao plantio de árvores e do enriquecimento da biodiversidade.
Em ambas as situações o número de plantas de cacau por hectare poderá ser ajustado, normalmente com plantio de novos clones mais tolerantes à vassoura de bruxa, que produzem chocolates com mais qualidade e mais produtivos, fruto do “Programa de Melhoramento” da Ceplac/MAPA.
Complementarmente a isso, tal manejo possibilitará o aproveitamento dos subprodutos madeireiros e não madeireiros poderão ser utilizados em novas cadeias de produção e atividades econômicas que poderão se tornar importantes para a região, como a indústria moveleira, e no futuro, até para a confecção de instrumentos musicais com ganhos para a economia local. A Associação de Produtores de Cacau (APC) estima que com a prática do manejo da cabruca, só na Bahia, poderá gerar um fluxo financeiro anual de R$ 3,3 milhões com a venda de resíduos florestais.