Commodities Agrícolas
Incerteza com safra As cotações do café arábica recuaram na bolsa de Nova York na sexta-feira com a pressão da alta do dólar e o impacto "baixista" da estimativa da Conab para a safra 2015/16, que estimulou vendas dos fundos especulativos. Os lotes para março de 2015 fecharam em queda de 315 pontos, a US$ 1,822 por libra-peso. A estatal prevê que o país deve colher 48,8 milhões de sacas de café, muito acima do que vem sendo especulado entre os produtores e traders. Para analistas, a perspectiva da Conab não tem relação com a realidade, já que a região produtora do Brasil continua com pouca umidade, e avaliações independentes indicam que apenas metade dos cafezais teve florada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica teve queda de 1,09%, para R$ 419,53 a saca.
O ebola, mais uma vez A epidemia de ebola na África Ocidental voltou a ser motivo de especulação no mercado do cacau na bolsa de Nova York. Os contratos para março de 2015 fecharam com alta de US$ 59, a US$ 3.217 a tonelada. Em agosto, o mercado assistiu a um movimento semelhante. Os traders alegam que os casos do vírus estão em países fronteiriços com a Costa do Marfim, maior produtor global de cacau, e um avanço da epidemia poderia causar problemas na produção e na exportação. Desta vez, o gatilho para a renovação dos temores foi uma reportagem sobre o tema no "Financial Times", segundo Thomas Hartmann, da TH Consultoria. No mercado doméstico, o preço médio da arroba negociada em Ilhéus/Itabuna seguiu a bolsa e subiu para R$ 108, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Demanda fraca Os futuros do algodão registraram queda expressiva na sexta-feira na bolsa de Nova York conforme a colheita americana avança e não há sinais de reação da demanda internacional. Os contratos para dezembro fecharam em baixa de 66 pontos, a 64,39 centavos de dólar por libra-peso. Embora os estoques da fibra nos EUA estejam baixos, a demanda também não tem demonstrado reação, mesmo em meio aos baixos preços negociados no mercado futuro. Isso tem impedido uma reação das cotações. As negociações do algodão também foram influenciadas pela elevação do dólar na comparação com diversas moedas emergentes. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias teve alta de 0,05%, para R$ 1,683 a libra-peso.
Baixa atratividade A crescente falta de interesse mundial pelo trigo dos EUA voltou a pesar sobre os negócios do cereal nas bolsas do país na sexta-feira. Em Chicago, papéis para março de 2015 fecharam a US$ 4,91 o bushel, recuo de 14,75 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento fecharam a US$ 5,66 o bushel, queda de 11,25 centavos. O recuo de mais de 50% nas vendas americanas do cereal há duas semanas reforçou a impressão de que grandes importadores têm evitado a oferta americana por causa de seu alto preço. A valorização do dólar nos últimos dias impede que a queda dos preços torne o trigo dos EUA mais competitivo no mercado internacional. No Paraná, o preço médio da tonelada apurada pelo Cepea/Esalq caiu 0,06%, para R$ 518,36.