Exportação de Fumo mantêm cultivo local
Planta originária do continente americano, o fumo foi desde o século XVII uma das principais alavancas de desenvolvimento do Recôncavo Baiano. A produção do estado, entretanto, vem caindo ao longo dos anos, já não atendendo praticamente o mercado nacional. Segundo dados do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), em média, 85% do fumo produzido no estado é destinado à exportação.
Em 2013 as vendas do comércio externo superaram a média: 97% da produção baiana foi vendida para a Holanda, Alemanha e Estados Unidos, re4sultando em U$$ 60 milhões para a balança comercial brasileira. A retração histórica do mercado interno, entretanto, é a principal responsável pela redução das áreas de plantio.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)sobre a safra 2012/2013 mostram que a área da Bahia encolheu 4 mil hectares com produção de 3.800 toneladas de folhas de fumo (6% da produção nacional). Em 2010, o estado produziu 6.147 toneladas, em uma área de 5.879 hectares.
A Bahia ocupa a quinta posição do ranking no país, atrás do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Alagoas. Em média 85% do fumo produzido no Brasil é destinado à exportação.
Brasil é o maior exportador de fumo
Segundo Odaci Estrada, presidente do SindiTabaco, o fumo produzido na Bahia e Alagoas é do tipo tabaco negro, destinado a produção de charutos. Nos demais estados produtores, o fumo é específico para a fabricação de cigarros.
A Bahia que já chegou a produzir 240 milhões de charutos por ano, fabrica hoje entre seis milhões e oito milhões de unidades (95% do fabrico do país).
“Nossa grande dificuldade é a previsão da demanda mundial. Mas juntamente com o governo estadual e a Federação das Indústrias da Bahia, passamos a participar de eventos internacionais, divulgando o charuto baiano, considerado pelos especialistas como um dos melhores do mundo, diz Estrada.
Natural
A produção de fumo na Bahia é localizada em 22 municípios e na região produtora funcionam três empresas exportadoras e oito fabricantes de charutos. A região do Recôncavo baiano agrega ótimas condições para a cultura do fumo: temperado entre 17º e 27º, boa umidade e solos arenosos ou argilosos. O método de produção é de agricultura familiar, com propriedades variando entre 0,7 e 1 hectare.
“O fumo produzido na Bahia é quase orgânico, porque os métodos utilizados no plantio, colheita e secagem são naturais, com uso de 50% de fertilizantes orgânicos, permitindo a melhora da vida microbiológica do solo”, explicou Estrada.
A variedade é a mesma cultivada há 150 anos na região, batizada como Brasil Bahia. As sementes são atualmente distribuídas de forma gratuita pelas empresas que compram a produção para fazer a fermentação das folhas. O processo dura até seis meses. Neste intervalo parte da terra recebe o cultivo de mandioca ou de milho e a área restante “descansa”, num sistema de rodízio.
Charuteiras
Já a cadeia produtiva do charuto emprega 14 mil pessoas no Recôncavo, a maioria agricultores familiares, sendo que 90% deste são mulheres que aprenderam o ofício com suas mães e avós, repassando as filhas desde 1842 – período em que foi fundada a primeira fábrica, a Juventude, no município de São Félix.
Certificação atrai novos mercados
Considerada zona livre da praga conhecida como mofo azul, a Bahia ganhou mais competitividade no mercado internacional. O projeto Fitossanitário do Mofo Azul do Tabaco foi criado em 2009 e surgiu para atender demandas crescentes de mercados, cada vez mais exigem qualidade dos produtos.
É o que explica o coordenador do projeto, o engenheiro agrônomo Aurino Soares de Mello, superintendente regional de Feira de Santana da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). A certificação foi exigida por compradores da China, maior produtor e importador de folhas no mundo. Segundo informou Aurino Soares, o monitoramento é contínuo.
China
Esta praga é encontrada em países da América Central, em Cuba e nos Estados Unidos devido as condições climáticas registradas anualmente nestes países. A cada ano são realizadas visitas a cerca de 10% das propriedades rurais entre os meses de maio e setembro, quando acontece, respectivamente, a semeadura e a colheita. Até mesmo os pequenos produtores são orientados da importância da verificação da incidência da praga.
Entre os anos de 2009 e 2014, foram monitoradas 1.243 propriedades. Ao final dói período de visitas é preparado um relatório que é enviado para o ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca (Mapa). Até o momento não foram encontradas cepas desta praga. As verificações, entretanto, continuam estimuladas pelo interesse do mercado chinês em comprar quantidades cada vez maiores do produto.