Commodities Agrícolas
Incerteza com ebola
As preocupações com o surto de ebola no oeste da África deram novo impulso ao mercado do cacau ontem, que ignorou a queda no processamento na Europa. Os contratos para março negociados na bolsa de Nova York fecharam com alta de US$ 41, a US$ 3.079 a tonelada. Notícias de casos fora da África preocupam investidores, que temem que as medidas tomadas pela Costa do Marfim, maior produtor de cacau do mundo, não sejam suficientes para evitar o vírus. A alta reverteu a queda do início do pregão, reflexo da redução anual de 1,1% na moagem da amêndoa na Europa no terceiro trimestre. No mercado doméstico, o preço médio ao produtor na Bahia variou entre R$ 107 e R$ 108 a arroba, de acordo com Thomas Hartmann, da TH Consultoria, sediada em Salvador.
Avanço técnico
O mercado da soja registrou a segunda alta seguida ontem na bolsa de Chicago, resultado de compras de fundos especulativos e de indústrias da China. Os lotes para janeiro fecharam com avanço de 20 centavos de dólar, a US$ 9,7325 o bushel. O dia foi de fortes movimentos especulativos em várias commodities agrícolas, o que provocou altas generalizadas. Houve notícias também de que esmagadoras chinesas compraram lotes nos EUA e venderam posições no mercado chinês para travar margens. A demanda pela oleaginosa americana está em alta. Na semana até o dia 10, as exportações do país cresceram 43%. Porém, a perspectiva é que a oferta desta safra cresça mais que a demanda. No mercado interno, o preço médio no Paraná, apurado pelo Deral/Seab, subiu 0,26%, para R$ 54,45 a saca.
Disparada em Chicago
Os preços do milho dispararam ontem na bolsa de Chicago em meio a intensas compras especulativas por parte dos fundos. Os contratos do cereal para março fecharam a US$ 3,7 o bushel, elevação de 11,5 centavos. Alguns analistas citam o atraso na colheita nos EUA como motivo para as recentes valorizações do cereal no mercado futuro. Porém, não há consenso sobre o motivo, já que o atraso ainda não tem potencial para causar grandes prejuízos. Até domingo, a colheita havia alcançado 24% da área plantada no país, 20 pontos menos que a média histórica. Nesta semana, porém, as chuvas que vinham interrompendo as atividades devem dar uma trégua em áreas do Meio-Oeste. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa subiu 2,14%, para R$ 22,87 a saca.
Na esteira do milho
Os futuros do trigo seguiram os demais grãos e fecharam em alta ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para março tiveram valorização de 4,25 centavos, a US$ 5,2125 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento registraram alta de 5,75 centavos, a US$ 5,915 o bushel. Os preços chegaram a registrar queda nos primeiros minutos de negociação diante de indicações climáticas favoráveis nos EUA. As recentes chuvas nas áreas produtoras americanas, nas grandes planícies, devem favorecer as lavouras em desenvolvimento. Porém, ao longo do dia, o mercado seguiu os preços do milho, com o qual concorre no setor de ração. No mercado interno, o preço no Paraná, apurado pelo Cepea/Esalq, caiu 0,15%, a R$ 529,09 a tonelada.