Produtores investem no licuri e obtêm mais ganhos
Preservação da vegetação nativa da caatinga, estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias e aumento de ganhos para pequenos agricultores são os resultados positivos obtidos por produtores rurais de várias comunidades da microrregião de Jacobina, que transformaram a realidade difícil do semiárido em oportunidades de trabalho.
Os carros-chefes do trabalho são os frutos do licurizeiro e do umbuzeiro, vegetação endêmica da caatinga brasileira, que, de ameaçadas de extinção, mudaram a realidade de centenas de famílias da região.
No próximo dia 12 de julho acontece mais uma edição da Festa do Licuri, na comunidade de São Miguel, em Caldeirão Grande.
Coopes
Um dos grupos de produtores de Capim Grosso integra a Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), que completou 10 anos de existência no última dia 2 de maio. A entidade reúne 234 cooperandos (90% são mulheres).
A produtora Josenaide de Souza Alves, secretária-executiva e representante comercial da cooperativa, explica que o trabalho começou por iniciativa de religiosas católicas como estímulo às agricultoras. Mas o baixo preço obtido na venda do licuri in natura (R$ 0,40 o quilo) era o grande obstáculo em 2005.
Depois de fazer cursos de processamento de alimentos na região, Josenaide decidiu torrar e moer o licuri, deixando-o armazenado por um ano para verificar se estragava. Com isso não aconteceu, passou a comercializar o produto na feira, estimulando seus vizinhos.
Surgiram daí azeite, bala, licor, biscoitos, creme, granola, graças a equipamentos criados por pesquisadores do IFBahia, que agilizaram a quebra do coco e a transformação deste em pó. O quilo do produto torrado e moído custa agora R$ 20.
Mas o grande salto veio através da Associação Slow Food, rede mundial que ajuda agricultores que trabalham com produtos sob risco de extinção. Daí surgiu o projeto Terra Madre, que levou o licuri para um festival na Itália.
Aurélio Carvalho, professor do IFBahia, explicou que o trabalho teve início em 2011, com o Edital do Proext-MEC, e continua com apoio do CNPq através do projeto Licuri, Sustentabilidade e Tecnologia nas Caatingas. Os resultados vieram nas áreas de: alimentos (professora Calila Santos) com o leite do licuri; ambiental e etnobotânica (professor Márcio Harrisson dos Santos Ferreira); e bioquímica (professor Pablo Rodrigo Piras, da Uefs).