Irrigação beneficia assentados no semi-árido
Um sistema de irrigação com material de baixo custo vem ajudando assentados a produzir na região semiárida do estado.
O projeto, realizado pela equipe da Embrapa Mandioca e Fruticultura, encerrou-se no primeiro semestre de 2015, após sete anos, por falta de recursos. Mas as produções prosseguem em assentamentos de Cansanção, Barra e Marcionílio Souza, a 346 km, 650 km e 350 km da capital, respectivamente.
"Mas tínhamos que terminá-lo mesmo. Eles precisavam andar com as próprias pernas. Achamos que tivemos sucesso, pois eles deram continuidade ao trabalho", diz o pesquisador da unidade e coordenador da parte técnica do projeto, Eugênio Coelho.
Em assentamentos dessas três cidades foram implantados doze unidades demonstrativas de irrigação - uma em cada assentamento -, usadas por 150 famílias. Foram escolhidos por serem ribeirinhos, o que facilitou o transporte da água às áreas produtivas. Outras 830 famílias começaram a fazer cultivo irrigado, inspiradas pelo funcionamento dessas unidades.
Eugênio Coelho conta que o projeto foi levado adiante com recursos de editais de instituições como Banco do Nordeste (BNB) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). O último dinheiro aplicado veio do Prêmio Mandacaru II, no valor de R$ 150 mil, recebido no ano passado.
Ele diz que como não havia condições financeiras de custear o sistema de irrigação para todos os produtores, muitos deles foram em busca de linhas de crédito e apoio das prefeituras . O sistema desenvolvido pela Embrapa, apesar de ficar até 30% mais barato que o habitual, ainda é caro para os assentados, custando cerca de R$ 3 mil.
"A prefeitura de Barra, por exemplo, dava óleo diesel (a bomba usada é movida a esse óleo), já que não há fornecimento de energia elétrica nas áreas de produção", conta o pesquisador.
Os produtores cultivam banana e mandioca, culturas consideradas de fácil aprendizado. Isto porque, em sua maioria, os assentados não possuíam prática de agricultura.
"Eles não são agricultores de verdade. Muitos saíram da cidade e foram para o campo", diz Coelho. "Então demos cursos sobre irrigação, uso da água e de produção. Falamos sobre como fazer uma adubação mais barata e compostagem".
A produtividade obtida, por exemplo, com o cultivo da banana chegou a superar a média nacional, de 14 toneladas por hectare, atingindo até 22 toneladas/ha. Alguns usam a produção para a própria subsistência enquanto outros a vendem.
Água de chuva
Os sistemas de irrigação dos assentamentos são abastecidos pelos rios São Francisco e Paraguaçu. O volume de água usado pelos produtores não é abundante, garante o pesquisador. "Há grandes produtores que gastam mais água que um assentamento inteiro", diz.
Mesmo assim, os assentados têm lidado com a escassez desse recurso, eventualmente. Aconteceu no ano passado, quando muitos só obtiveram água para consumo humano.
Alguns deles também estão aproveitando a água pluvial para produzir. Nesse caso são plantios menores, como o de hortaliças. A água, depositada em cisternas, serve para garantir a produção por até quatro meses durante o período de seca.
Fonte: Jornal A Tarde