A declaração é do Diretor do Departamento de Crédito e Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Wilson Vaz de Araújo, ao explicar em entrevista sobre os entraves que dificultam o acesso do produtor de cacau ao financiamento do Plano Agrícola e Pecuário - Safra 2017/18.
“Quando se trabalha um Plano Safra, se visa produções dos próximos anos e o que o tesouro nacional assume é um risco de desencontro de taxa de risco e inflação, mas o risco financeiro e operacional é papel do agente financeiro”, acrescentou o economista em entrevista concedida após palestra ministrada por ele sobre “O Plano Agrícola e Pecuário – Safra 2017/18 (ABC - Cacau, Açaí e Dendê)”, em Seminário organizado pela CEPLAC/MAPA em 04 de agosto último, no auditório Helio Reis do Cepec.
Além de dirigentes e técnicos especialistas da área de crédito da CEPLAC/MAPA, o evento reuniu produtores, agropecuaristas regionais e representantes dos segmentos da cacauicultura e dos agentes financeiros envolvidos diretamente com o crédito rural do referido Plano.
Wilson Vaz, que trabalha há 20 anos na Secretaria de Política Agrícola do MAPA, avaliou o evento como uma excelente oportunidade de discutir abertamente os assuntos relacionados a financiamento agrícola. “Sempre tivemos resultados positivos em eventos como esse, onde estejam presentes o Governo Federal, representado pelo MAPA, os produtores e agentes financeiros. Oportuniza dirimir dúvidas relacionados às políticas existentes e sobre aspectos financeiros, taxa de juros, prazos e linhas de créditos operadas pelos bancos”.
Ele ressaltou também que “nesses encontros percebemos que as dificuldades de acesso ao financiamento agrícola pelo produtor, na maioria das vezes, não está nas condições de financiamento e sim na habilitação do agropecuarista para contrair esse crédito; os produtores tradicionais que operam há muito tempo com crédito rural, em determinada época podem ter problemas de frustração de safra, ou preços não remunerador, consequentemente ele tem sua receita comprometida e ficam com dificuldades de quitar compromissos passados”.
O Diretor do MAPA concluiu informando que “nesse Plano Safra está incluído o Programa ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, para financiar praticas agrícolas que inibam a emissão de gases que provocam o efeito estufa. Esse programa foi motivado pela participação do Brasil na Convenção de Mudanças Climáticas de Copenhague na Dinamarca. O cacau está incluído dado aos aspectos de produção e relação com meio ambiente. Neste Programa os cacauicultores podem ter um financiamento de até 12 anos, incluindo uma carência de até oito anos”.
Palestras e debates marcaram a programação do Seminário para avaliação e implementação dos recursos disponibilizados pelo Governo Federal, por intermédio do Plano Safra 2017/18, do MAPA, que prevê a liberação de R$ 2,13 bilhões para a cacauicultura, dendê e açaí.
Durante sua palestra sobre “O Crédito Rural na Região Cacaueira da Bahia”, o Chefe de Planejamento e Projetos Especiais da CEPLAC/MAPA, Antônio Zugaib destacou que a produção de cacau na região alcançou seus maiores níveis no período em que o cacauicultor teve maior acesso ao crédito. Daí ele enfatiza para a importância do crédito chegar efetivamente ao produtor.
Quanto a questão relativa a resolução 4.591 de 25 de julho de 2017, Antonio Zugaib informou que o Diretor do MAPA, Wilson Vaz, solicitou que encaminhasse a nota técnica elaborada pela CEPLAC sobre a questão da ocorrência da seca no Sul da Bahia para ele encaminhar ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi.
Em seguida os representantes dos agentes financeiros participantes: Romildo Alves (Banco do Brasil - BB), Leilane Benevides (Banco do Nordeste - BN e Alberto Catarino (Caixa Econômica Federal - CEF), apresentaram e responderam questionamentos dos produtores sobre as linhas de crédito integrantes do Plano Safra 2017/18, que estão disponíveis em seus respectivos Bancos, com destaque para o Programa ABC – Cacau, Açaí e Dendê.
A programação foi concluída com a palestra do Engenheiro Agrônomo da CEPLAC/MAPA, Ivan Costa e Souza sobre “Cacauicultura de Alta Produtividade”. “Essa palestra teve o sentido de mostrar a sociedade, aos agentes financeiros e ao Diretor do MAPA, que hoje já existe tecnologia para a recuperação da cacauicultura aqui na Bahia. Se houver recursos por parte dos agentes financeiros e uma política pública por parte do governo, nós podemos recuperar rapidamente a cacauicultura da Bahia seguindo o pacote tecnológico que a CEPLAC recomenda”.
Ao final do evento, o coordenador da CEPLAC/MAPA para Bahia, Carlos Alexandre Brandão, agradeceu a participação de todos e avaliou que os objetivos do evento foram atendidos. “Nesse retorno a CEPLAC retomamos o compromisso de lutar junto aos produtores pelo soerguimento econômico da cacauicultura e esse evento sobre o crédito rural nos permitiu diagnosticar as dificuldades existentes e o encaminhamento de alternativas junto aos organismos demandados”.
Opinião de quem participou
“Esse evento foi de grande valor para nós produtores. E a participação do Dr. Wilson Vaz, pode ajudar a resolver a questão da lei 13.340 que vai regularizar a vida do produtor rural dessa região que vem há anos sem crédito e endividada. A gente só pode ter acesso ao crédito do Plano Safra que foi divulgado pelo Banco do Brasil, somente no município de Luís Eduardo Magalhães, e no momento em que equalizarmos as nossas dívidas. O BB tem nos deixado há 10 meses esperando uma solução e todas as representações do cacau tem batido muito nessa tecla. O que queremos é que o BB resolva esse problema o quanto antes, porque a lei se extingue agora em 2017 e não sabemos se terá renovação, então que eles façam a negociação com os produtores. O único banco que iniciou isso, em janeiro, foi o Banco do Nordeste. Como o BB tem o maior número de operações para que possa destravar o acesso ao crédito, precisamos que ele se empenhe pra resolver a lei 13.340, para que os produtores venham a ter acesso ao crédito do Plano Safra, que já chegou a uma taxa de juros de 7,5%, ainda muito alta para o produtor. Hoje tivemos a oportunidade que o BN nos ofereceu, através do FNE Verde, com recursos que ficam na faixa de 5,50%. O que a gente deseja é poder aplicar toda essa tecnologia da CEPLAC, que é de alta produtividade para gerar emprego e renda. Mesmo com dificuldades, a CEPLAC tem se debruçado com um contingente de técnicos e tem buscado soluções para o produtor. Por isso Precisamos da CEPLAC reformulada e moderna”. (Milton Andrade, produtor rural e Presidente do Sindicato Rural de Ilhéus).
“Um seminário de alto nível, com palestrantes muito qualificados e profundos conhecedores da cultura cacaueira. Foi uma oportunidade rica para os produtores terem contato com legislações, linhas de financiamentos e tecnologias voltada para aumento da produtividade e faturamento da produção. A CEPLAC, que é uma grande parceira do Banco do Brasil, e seu técnicos estão de parabéns!”. (Romildo Gonçalves Alves, Gerente Geral do Banco do Brasil).
“Um importante momento de se discutir crédito rural e a caixa está entrando com o crédito agrícola recentemente. Não atuamos ainda com cacau, mas já temos algumas pesquisas para subsidiar a nossa atuação também na área de cacau. O produtor pode procurar nossas agências, fazer o cadastro dele e fazer o seu empréstimo rural. O importante é a Caixa manter sempre esse bom trabalho de parceria com a CEPLAC, uma instituição que tem força, representatividade e importância não só para Itabuna e Ilhéus, mas para toda a região cacaueira”. (Alberto Catarino, Superintendência da Caixa Econômica Federal/Itabuna).
“A atuação da CEPLAC nesse processo é muito importante pra que a gente possa levar a frente os financiamentos em relação ao cacau aqui na região, inclusive, os nossos projetos pra cacau, para serem financiados pelo Pronaf Floresta e o FNE Verde, eles precisam estar respaldados por um pacote tecnológico da CEPLAC. Os produtores interessados já podem procurar a carteira agrícola do Banco do Nordeste, estamos à disposição para esclarecimentos, tanto pra concessão de crédito, quanto pra renegociação”. (Leilane Benevides, Gerente de Negócios do Banco do Nordeste/Itabuna).
Jornalista: José Carlos Peixoto
Fotos: Águido Ferreira
Reportagens: José Hamilton e Luiz Fernando
Assessoria de Comunicação da Ceplac