CETAB Informa: Mosca-negra-dos-citros, uma ameaça à fruticultura do estado da Bahia.

09/10/2017

Introdução

A mosca-negra-dos-citros (Aleurocanthus woglumi Ashby) é uma praga originária do sudoeste da Ásia e encontra-se disseminada em grande parte do mundo. No Brasil a mosca negra foi detectada pela primeira vez em Belém-PA e, graças à sua rápida distribuição no território brasileiro, em 2013, deixou de ser classificada como praga quarentenária presente (sob controle oficial), passando à categoria de praga de interesse econômico. Em julho e agosto de 2010, nos município de Caravelas e Teixeira de Freitas, a ADAB detectou a primeira ocorrência de A.woglumi na Bahia em viveiros, hortos e áreas urbanas. Em novembro do mesmo ano foi registrado na cidade de Itabuna-Ba no campus universitário da UESC e em zona urbana.

Figura 1: Mosca negra dos citros em laranja doce: (A). colônia do inseto em folhas mais novas; (B) Adulto; (C) Postura de ovos em espiral; (D)  Folhas de laranja doce com sintomas de fumagina. Fotos de : Fotos de Paulo Roberto Oliveira de Andrade. 

Danos provocados

A mosca-negra-dos-citros alimenta-se de grande quantidade de seiva elaborada, causando depauperamento da planta, com o murchamento, e em muitos casos, a morte desta. Ao se alimentar, a praga libera um exsudato açucarado (honeydew) sobre a qual se desenvolve a fumagina (Capnodium sp.) (Fig.1D) Este fungo que tem a coloração negra, pode revestir totalmente a folha, acarretando redução da fotossíntese, diminuição do nível de nitrogênio das folhas e impedindo a respiração da planta.

Em médias e altas infestações, as folhas se tornam negras na face abaxial e adaxial, devido às ninfas e a fumagina. Em altas concentrações a fumagina interfere na formação dos frutos, prejudicando a produção e diminuindo o valor comercial. A frutificação fica prejudicada e pode ser reduzida em até 80%.

Hospedeiros

A mosca negra ataca mais de 300 espécies de plantas, tendo como hospedeiros principais cítricos, cajueiro, mangueira abacateiro. Porém, em elevada densidade populacional os adultos se dispersam para outras plantas hospedeiras, tanto ornamentais quanto frutíferas como murtas, rosas, maçã, café, jasmim-manga, figo, goiaba, banana, uva, mamão, pêra , romã e marmelo.

Biologia

A mosca negra ocorre durante todo o ano. Os ovos são depositados em espiral, exclusivamente na face inferior  das folhas, em grupos de 35 a 50 de coloração inicial amarelo-alaranjado (Fig. 1C). A eclosão das ninfas ocorre em 4 a 12 dias, dependendo das condições climáticas. As recém-eclodidas são claras, apresentam corpo ovalado, alongado e pernas. Esse período representa o momento de dispersão dos imaturos e tem duração de 7-16 dias, durante o qual as ninfas perdem as pernas e fixam o aparelho bucal. A medida que as ninfas crescem tornam-se escuras (Fig. 1A) sofrendo 4 mudas até se tronarem adultas. Nos terceiro e quarto estádios, apresentam cerdas, que lembram espinhos, recbrindo todo o corpo. O adulto emerge de uma sutura em forma de “T” na parte anterior da pupa, são alados e apresentam colocação preta com tons cinza-azulados (Fig. 1B): a fêmea mede 1,24 mm e o macho 0,99 mm de comprimento. O ciclo biológico, em condições naturais, varia de 54 a 103 dias, com quatro gerações ao ano.

Controle biológico e químico

O controle biológico da mosca-negra-dos-citros tem sido mais eficiente que o controle químico, sendo realizado por meio de parasitóides (por ex. os hymenoptera Cales noacki e Encarsia sp.), predadores (por ex. a joaninha Delphastus pusillus; o neuroptera Ceraeochrysa caligata e Leucochrysa sp., também conhecidos como bicho-lixeiro; a larva da mosca Oncyptamus gastrotactus) e de fungos entemopatogênicos. Somente em alto nível de infestação, recomenda-se o uso de inseticidas específicos e óleos minerais, que também controlam a fumagina.

Fonte: CETAB

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