A principal florada da safra 2018/19 já pode ser vista em importantes regiões produtoras de café do Brasil, como o Cerrado Mineiro e municípios como Rio Paranaíba, Araguari e Monte Carmelo. (Veja fotos abaixo) Ainda não são todas as lavouras que têm essa condição, mas nos próximos dias o cenário deve ser mais uniforme, segundo relatos dos produtores. Apesar das belas imagens enviadas pelos produtores ao Notícias Agrícolas ou postadas em redes sociais, produção excepcional está descartada.
"Nos próximos dias teremos a abertura de floradas e como boa parte dos cafezais perdeu um considerável volume de folhas com a seca e calor, as flores aparecerão melhor e darão um belo espetáculo para os fotógrafos. Apenas o espetáculo será bonito. Como os cafeeiros estão debilitados e com menos folhas que o normal, parte da florada será perdida. Os agrônomos alertam que a possibilidade de uma safra excepcional, recorde, está afastada", disse o Escritório Carvalhaes, com sede em Santos (SP). Uma das principais corretoras de café do país.
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A florada do café arábica, como costuma acontecer, é seguida pelas chuvas que foram registradas em boa parte do cinturão produtivo brasileiro nos últimos dias. A primeira florada da safra 2018/19 do grão foi registrada nos primeiros dias de setembro, no entanto, as dúvidas quanto ao pegamento eram enormes. De fato, ela foi perdida em algumas plantações. Tenho 99% de certeza que essa florada não vinga. O clima está muito seco para os cafezais", disse na época o produtor de café Gustavo Emídio de Bom Jesus da Penha (MG).
Analistas internacionais chegaram a apontar nas últimas semanas que a próxima safra do Brasil poderia chegar a 60 milhões de sacas de 60 kg entre arábica e conilon, um recorde, já que será de bienalidade positiva e as condições climáticas eram benéficas. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou a produção do país neste ano em 44,77 milhões de sacas. Apesar de tudo, a importadora americana Wolthers Douque segue otimista com o Brasil e estimou nesta semana que a safra do país deverá totalizar 59 milhões de sacas de 60 kg entre arábica e robusta.
Em informações cedidas à agência de notícias Reuters, a poda adequada de lavouras e as condições climáticas ideais são apontadas como os principais fatores dessa previsão otimista. A Wolthers Douque havia apontado a safra 2017/18 brasileira entre 48 e 49 milhões de sacas.
Veja imagens da florada e botões florais no cinturão brasileiro:
Para o Escritório Carvalhaes não deve ser bem isso. "Para que tenhamos uma safra 2018 razoável, necessitaremos de chuvas regulares daqui para frente, além de bons tratos nos cafezais, com fertilização e aplicação de defensivos em volumes e datas indicadas pelos técnicos. O trato correto é sempre necessário, mas este ano, com uma grande porcentagem de cafeeiros debilitados por três anos de chuvas irregulares e insuficientes, eles são de extrema importância para que a florada vingue e se transforme em frutos", disse.
Segundo previsões climáticas, os próximos dias devem ser de calor intenso e poucas chuvas nas áreas produtoras do Brasil, com instabilidades apenas no Sul do país que não devem avançar as áreas produtoras pelo menos até a próxima semana. O mercado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) acompanha essas informações, mas o lado técnico está falando mais alto neste momento depois que as cotações chegaram a mínimas de três meses, abaixo de US$ 1,25 por libra-peso. As chances de baixa produção na próxima temporada parecem que já foram precificadas anteriormente ou estão descartadas.
"Nova Iorque fez uma reversão técnica no curto-prazo e manteve os ganhos tendo um potencial de subir um pouco mais depois de termos visto os fundos mais vendidos no relatório do CFTC. Sustentar os ganhos é que será o desafio, e muito provavelmente veremos novas vendas aparecer após o fechamento do gap que está entre 133,70 e 134,05 centavos por libra. Uma queda abaixo de 129,15 coloca em risco o teste dos níveis de 126,75 e 124,30", afirmou em relatório o analista e diretor da Comexim nos Estados Unidos, Rodrigo Costa.
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