O secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia (Seagri), Lucas Costa, participou de discussões importantes sobre o fortalecimento da cadeia produtiva da fruticultura em Brasília. Foi durante a reunião conjunta da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Fruticultura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no último dia 18.
Uma das pautas mais urgentes foi a apresentação das novas regras fitossanitárias da União Europeia para a importação de frutas. Para proteger o bloco contra a entrada de pragas, aqueles países passarão a exigir dos fruticultores o atendimento a uma série de regras, a partir do dia 1º de setembro. Dentre elas, o monitoramento obrigatório para o controle da mosca-das-frutas.
O secretário informou que países como o Equador, Peru e Colômbia estão exportando mais frutas do que o Brasil porque, nestes países, a metodologia do Sítio Livres de Pragas foi implantada em quase a totalidade dos seus territórios frutícolas. No Brasil, a Bahia e Pernambuco são os maiores Estados produtores de frutas.
O monitoramento é uma ferramenta de controle que mostrará ao comprador e ao país importador que está comprando uma fruta livre de contaminação. Também assegura que nenhuma doença seja introduzida em outros países. Para continuar competitivo, tanto no mercado interno quanto externo, o Brasil deverá se adequar.
Lucas Costa explicou que não adianta só um produtor manter sua lavoura protegida se ao seu redor os demais não estão adotando nenhum controle. “As pragas vão se multiplicando e se espalhando cada vez mais. É essencial que todos os fruticultores de todos os tamanhos se convençam da importância do monitoramento contínuo e obrigatório para afastar as doenças de suas lavouras. Isto irá fortalecer toda a fruticultura nacional”, afirmou.
Como estratégia para estimular o produtor a investir no monitoramento da praga, o secretário, que também é vice-presidente do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Agricultura do Nordeste (Conseagri), se reuniu com os superintendentes do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste para vincularem a concessão do crédito agrícola do Plano Safra 2019/2020 aos produtores que comprovarem o monitoramento obrigatório da mosca-das-frutas e outras doenças.
Na reunião, o diretor-presidente da biofábrica Moscamed, vinculada à Seagri, Jair Virgínio, apresentou o projeto de controle da mosca-das-frutas através do inseto estéril, utilizado na fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, em Juazeiro, como alternativa sustentável e eficaz de manter a doença sob controle. Segundo ele, a Moscamed possui a capacidade de criar, em laboratório, 200 milhões de insetos machos estéreis por semana, como forma de impedir a reprodução das moscas causadoras da doença, reduzindo, assim, a incidência das pragas e o uso de agrotóxicos.
O diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Mapa, Carlos Goulart, disse que o ministério formalizará um modelo de monitoramento para que o produtor possa se organizar nos próximos três meses e manter seu fluxo de exportação para o bloco. Ele reafirmou ser imperativo o exercício constante do monitoramento dessas pragas, adicionado, quando necessário, o tratamento hidrotérmico das frutas.
Outra medida para fortalecer a fruticultura nacional foi o debate sobre a necessidade da criação de um fundo gestor para aportar recursos no Programa de Controle de Moscas-das-Frutas, com especial atenção para a prevenção e controle à Mosca da Carambola, já presente no Norte do Brasil.
Foram discutidos também o Plano Nacional da Fruticultura da CNA e as possibilidades de novas rotas de exportação para a fruticultura nacional. O auditor fiscal federal agropecuário do Mapa na Bahia, Cássio Peixoto, informou que a reunião discutiu ainda os avanços do grupo de trabalho Minor Crops Brasil, que debate o registro de defensivos para pequenas culturas; as atualizações do programa de rastreabilidade Agritrace Vegetal; e a implantação da nova versão do sistema de gerenciamento de trânsito internacional de produtos e insumos agropecuários (Sigvig 3.0) do Mapa, que pretende otimizar o trâmite para emissão de certificados fitossanitários para exportação. A próxima reunião está agendada para a primeira quinzena de dezembro.
A Ascom Seagri
Letícia Belém
Foto: Cássio Peixoto/Mapa