O papel do médico veterinário na prevenção e combate a doenças emergenciais que podem atingir fortemente a produção agropecuária foi tema de debate na sexta-feira (5), dentro da programação de palestras no Pavilhão do Governo, na Fenagro 2025, no Parque de Exposições. O tema foi comandado pelo coordenador estadual do Programa Nacional de Vigilância Para Febre Aftosa, José Neder Moreira Alves, da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri).
Na oportunidade, foi ressaltada a importância de uma ação rápida no surgimento de casos de zoonoses, como influenza aviária, doença de New Castle, brucelose, tuberculose, mormo, peste suína clássica, “mal da vaca louca”, raiva e febre aftosa, que podem impactar toda uma cadeia. No caso da raiva, por exemplo, o Brasil registrou quase 51 mil casos (sendo 798 na Bahia) em animais entre os anos de 1999 a 2022, com prejuízo de aproximadamente 50 milhões de dólares.
A febre aftosa é outra doença que exige vigilância constante, por possuir propagação rápida, em cerca de 28 dias. Favorecem para este cenário as seguintes características: se espalha pelo ar e pela saliva, fezes, leite e carne, consegue sobreviver bem no meio ambiente e é resistente aos desinfetantes comuns. Este ano, após décadas, a Europa registrou focos da doença na Alemanha, Eslováquia e Hungria, fazendo com que todo o continente ficasse em alerta.
Além do médico veterinário que atua em órgãos de defesa agropecuária, para Moreira Alves, o profissional que trabalha em propriedades rurais também é um importante aliado no controle e enfrentamento a essas doenças. Para isso, é necessário estar sempre bem informado no que está acontecendo no estado, no Brasil e no mundo.
“Junto com o proprietário, pode fazer orientações sobre como melhorar a produção através do controle sanitário do rebanho, prevenindo doenças através do melhor tipo de manejo e, caso venha a surgir algum caso, como proceder. Nos órgãos de controle, adota as medidas de vigilância epidemiológica e de educação sanitária junto às propriedades, além do acompanhamento do trânsito de animais”, explicou.