O Governo da Bahia entregou, nesta quarta-feira (11), no município de Capim Grosso, uma unidade de Castramóvel ao Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Território Bacia do Jacuípe. O equipamento integra o Programa Estadual de Controle Populacional de Cães, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri).
A unidade móvel é equipada para realizar castrações e microchipagem de forma itinerante, ampliando a capacidade de atendimento nos 15 municípios que compõem o território: Ipirá, Baixa Grande, Mairi, Várzea da Roça, São José do Jacuípe, Quixabeira, Serrolândia, Várzea do Poço, Capim Grosso, Gavião, Nova Fátima, Capela do Alto Alegre, Pintadas, Riachão do Jacuípe e Pé de Serra. O investimento na estrutura foi de R$ 501.515,40.
Segundo o secretário estadual da Agricultura, Pablo Barrozo, o Castramóvel fortalece as ações de controle populacional e contribui para reduzir problemas enfrentados por criadores da região.“Com o castramóvel, aliado à microchipagem e à vacinação, conseguimos controlar a população de animais e reverter esse quadro. A situação já apresenta melhora significativa para quem tinha pequenos rebanhos e vinha sendo prejudicado”, afirmou.
De acordo com o secretário, o programa representa uma solução que protege tanto os produtores da agricultura familiar quanto os próprios animais, por meio de um controle populacional responsável.“A iniciativa atua de forma integrada para reduzir a população de cães abandonados e evitar ataques a rebanhos”, destacou.
A nova unidade móvel também vai reforçar o trabalho das cinco clínicas veterinárias credenciadas que já atuam no território. As castrações já estão em andamento nos municípios de Riachão do Jacuípe, Nova Fátima e Capela do Alto Alegre, e devem começar em breve em Capim Grosso e São José do Jacuípe.
De acordo com o presidente do consórcio e prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios, mais da metade das castrações previstas já foi realizada, e a chegada do novo Castramóvel deve acelerar o atendimento nos municípios que ainda não iniciaram as atividades.
“A entrega do Castramóvel marca apenas o início de um trabalho que precisa ser contínuo. Temos que conduzir esse processo de forma permanente. Não adianta tratar como uma ação pontual”, alertou o presidente do consórcio, ressaltando que o controle populacional permanente é fundamental para proteger os criadores da região.
Ao todo, estão previstas 4.782 castrações e microchipagens nos 15 municípios do território, com média de 318 procedimentos por localidade.
Resultados
O prefeito Laurindo Nazário lembrou o cenário que motivou a demanda pela iniciativa. “Chegamos a um ponto em que muitos criadores deixaram de criar. Quem mais estava sendo prejudicado era o homem do campo”, afirmou.
O Programa Estadual de Controle Populacional de Cães no Semiárido Baiano é uma parceria entre o Governo do Estado, consórcios intermunicipais e prefeituras, coordenado pela Seagri. A iniciativa prevê a castração de até 10 mil animais em 36 municípios do semiárido baiano, com investimento inicial de R$ 5 milhões.
Do controle animal à saúde pública
Para a médica-veterinária Geana Oliveira, responsável técnica pelo programa no território, o Castramóvel representa uma mudança na forma como o poder público enfrenta o problema dos animais em situação de rua. Gaena destacou também que, o controle populacional, e não apenas ações pontuais contra ataques, é o que garante resultados duradouros para os criadores de caprinos e ovinos.
“O mecanismo é direto: a castração das fêmeas reduz a formação de matilhas, principal causa das investidas contra rebanhos.Quando a gente castra a cadela, elimina automaticamente a formação dessas matilhas”, explicou.
Com menos animais abandonados nas ruas e menos grupos em circulação, os efeitos se acumulam ao longo do tempo: redução dos ataques, diminuição do abandono e, a longo prazo, retomada da criação de ovinos e caprinos nas propriedades rurais.
O programa também gera impactos positivos para a saúde pública. Segundo Geana Oliveira, a iniciativa contribui para reduzir zoonoses, como a esporotricose, doença transmitida de animais para humanos que tem avançado no interior da Bahia, e a leishmaniose.
Além das ações veterinárias, o programa inclui atividades de educação ambiental. Palestras em escolas sobre bem-estar animal, vacinação e controle reprodutivo têm contribuído para mudar a percepção da população sobre o cuidado com os animais.