Fórum Baiano debate estratégias para ampliar reconhecimento de Indicações Geográficas no estado

21/05/2026

As estratégias para ampliar o reconhecimento de produtos baianos com o selo de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foram discutidas durante a primeira reunião, de 2026, do Fórum Baiano de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas. O encontro foi realizado de forma híbrida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), nesta terça-feira (19).

Durante o encontro, foram apresentados o mais recente processo de concessão de IG na Bahia — a banana de Bom Jesus da Lapa — e o projeto Incite IG, coordenado pelo Instituto Federal da Bahia (Ifba), que prevê a instalação de escritórios descentralizados para auxiliar no levantamento de informações e no processo de reconhecimento de novos produtos baianos.

A chefe de gabinete da Seagri, Jorgete Oliveira, destacou a importância da atuação integrada entre as instituições que compõem o Fórum. “A Indicação Geográfica agrega valor aos produtos baianos, fortalece a organização dos produtores e amplia o acesso a novos mercados, inclusive internacionais. A Seagri, em conjunto com as demais instituições, seguirá trabalhando para fortalecer esse processo”, ressaltou.

O professor do Ifba e coordenador do Incite IG, Marcelo Santana Silva, explicou que o projeto, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), conta com a participação de universidades e instituições parceiras, como a Seagri, e tem como objetivo criar escritórios voltados ao apoio técnico das IGs. As unidades descentralizadas atuarão no diagnóstico de potencialidades, levantamento de documentação para novos processos de reconhecimento, além de ações de capacitação e gestão das IGs já existentes.

“A Bahia possui mais de 80 produtos e serviços com potencial para obtenção de Indicação Geográfica. Com a atuação em rede e o fortalecimento das políticas públicas, podemos ampliar esse número, valorizando a produção baiana, aumentando a competitividade e gerando emprego e renda nos municípios”, afirmou Silva.


Reconhecimento

Sobre o processo de reconhecimento da banana de Bom Jesus da Lapa, o consultor da Glocal Service, Luciano Seixas Ivo, destacou as etapas de construção do projeto de Indicação de Procedência do produto. Conhecida como “banana clarinha da Bahia”, a fruta apresenta características específicas relacionadas ao Perímetro de Irrigação Formoso, como coloração amarelo-ouro clara, elevada doçura e baixa acidez, atributos associados ao manejo em clima semiárido.

“A construção de um projeto de IG envolve difusão do conhecimento, governança e mobilização dos produtores e instituições envolvidas. Apesar da complexidade do processo, os benefícios são significativos, pois a certificação agrega valor ao produto e fortalece economicamente os territórios”, pontuou.

O pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Aldo Trindade, também destacou o papel da inovação tecnológica no fortalecimento das Indicações Geográficas. “Os produtos reconhecidos como IG possuem diferenciais ligados à tradição, ao território e à inovação. A Embrapa já desenvolve esse trabalho com a farinha Copioba e segue acompanhando as transformações do mercado para contribuir com iniciativas como essa”, declarou.

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