Na manhã de hoje (31), aconteceu a abertura do II Simpósio Cidades Médias e Pequenas da Bahia, com o tema “Contradições, mudanças e permanências nos espaços urbanos”, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista. Representando o governador Jaques Wagner, o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, realizou a abertura do evento, ao lado do reitor da UESB, Paulo Roberto Mendes Santos, e de pesquisadores e coordenadores da UESB e UFBA.

O diretor-geral da SEI salientou a importância das parcerias que a SEI vem travando com as universidades, sendo um braço do governo do estado que dialoga permanentemente com a academia. “Nesta oportunidade, trago algumas preocupações para o debate. A primeira diz respeito ao perfil da socioeconomia baiana, ainda altamente concentrada, setorial e espacialmente, e o segundo refere-se ao papel que as pequenas e médias cidades podem ter para mudar esse perfil. Essas cidades começam a ser vistas com mais nitidez no estado, ao ampliar sua atuação ponto de vista técnico-gerencial, a fim de cumprir novas funções que recaem sobre os municípios”, apontou.
Segundo Reis, sua reflexão tem como preocupação maior a necessidade de se romper com a “nova dualidade estrutural da economia baiana que, de um lado, é representada pelos grandes empreendimentos e alguns setores econômicos dinâmicos, conectados com o mercado nacional e internacional, e do outro, por uma espécie de economia popular que obedece a uma dinâmica própria e a um circuito específico. Vale registrar que estamos falando de cerca de 660 mil unidades de agricultura familiar, 330 mil micro e pequenas empresas, 1,7 milhão de famílias beneficiárias do Bolsa Família, 350 mil beneficiários do BPC, um milhão de aposentados rurais, além das pessoas em extrema pobreza”, disse.

O diretor frisou ainda que, apesar da incapacidade dos grandes empreendimentos de absorverem a microeconomia, o papel do governo é o de “contraarestrar” essa lógica, o que o governo do estado vem fazendo ao investir em programas que incitam a desconcentração da nossa economia. Vida Melhor, Inclusão Produtiva, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos e as políticas de microcrédito foram algumas das ações citadas.
O reitor da UESB, Paulo Roberto Santos, lembrou a “responsabilidade de trazer para dentro da Universidade algo que acontece na nossa região e que temos a responsabilidade de pensar e apresentar proposições em articulação com os poderes públicos, de forma a colaborar para a qualidade de vida e a transformação da realidade referente às cidades de pequeno e médio porte no estado”, disse.
“O espírito desse evento é trazer um novo olhar para essas cidades, sem esquecer do campo. Então vamos discutir o que foi pensado nesses dois anos desde o ultimo simpósio, o que foi produzido, como a realidade dessas cidades evoluiu”, anunciou Jânio Santos, coordenador do evento e professor do Curso de Geografia da Uesb.
Dando continuidade às reflexões iniciadas no I Simpósio Cidade Médias e Pequenas da Bahia, que aconteceu em 2009, esta edição fará um balanço do que foi realizado até então. Além de pensar em novas propostas de planejamento, o evento permitirá uma discussão sobre os avanços alcançados nos debates teórico/metodológicos, as contradições que limitam uma apropriação mais coletiva dos espaços urbanos, os meios que reverberam leituras sobre as manifestações culturais cotidianas, suas implicações no espaço urbano e os entraves que inviabilizam os caminhos para a construção de um real direito à cidade para todos.

Programação - O evento segue até a próxima quarta-feira (02/11), com mesas redondas, grupos de estudos e apresentação de artigos. Além de fazer parte da comissão organizadora, a SEI participa da mesa de debates “Rediscutindo as cidades médias no/do território baiano”, com Patricia Chame Dias, e da mesa de encerramento “Propostas de planejamento para as pequenas e médias cidades no Governo Dilma Russef”, coordenada pela técnica Diva Ferlin Lopes. Também serão apresentados os artigos “Dinâmica recente do emprego formal em Santo Antônio de Jesus”, de André Luís Melo de Oliveira, Lucas Lima e Carlos Marlon Costa, e “A cidade de Alagoinhas na articulação urbano-regional do litoral norte baiano”, apresentado por Mayara Mychella Araújo.