As vendas do comércio varejista baiano cresceram 1,8% em dezembro de 2025, frente ao mês imediatamente anterior. Após o Rio de Janeiro (1,9%), a Bahia foi o estado com maior contribuição positiva no cenário nacional, que, contudo, registrou variação negativa (-0,4%). Na comparação com igual mês de 2024, as vendas na Bahia apresentaram variação positiva de 8,0%, ficando atrás apenas do Amapá, que registrou taxa de 15,6%. O movimento de expansão se repetiu pelo 9º mês consecutivo e ficou acima do registrado no Brasil (2,3%). No acumulado do ano, a Bahia e o Brasil registraram crescimento de 2,7% e 1,6%, respectivamente. Esses dados foram apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC/IBGE), com dados analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento.
A expansão das vendas no sazonal é atribuída à melhora na expectativa do consumidor. Segundo os dados da Fundação Getúlio Vargas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE subiu 0,4 ponto para 90,2 pontos, impulsionado pela melhora das expectativas para os próximos meses. Além do mais, trata-se do mês em que se comemora o Natal, considerada a melhor data de vendas para o setor, ocasião em que o mercado de trabalho está aquecido, devido às contratações temporárias de fim de ano, e também da liberação do décimo terceiro salário.
No comparativo com o ano anterior, o crescimento das vendas pode ser atribuído a fatores como alívio da inflação e tendência de queda do endividamento e inadimplência. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o menor endividamento em dezembro foi acompanhado por uma redução do percentual de inadimplência que atingiu 29,4%, a menor taxa desde abril (29,1%), embora ligeiramente superior ao resultado de dezembro de 2024. Nas suas projeções o endividamento deve continuar recuando no primeiro trimestre de 2026, assim como a inadimplência.
Na análise das atividades, observa-se que o aumento verificado nas vendas na comparação com o ano passado foi resultado do comportamento dos segmentos de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, Combustíveis e lubrificantes e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O primeiro em decorrência ao surpreendente crescimento de 499,5%. Essa atividade é influenciada pela variação do dólar frente ao real, e ao longo do ano houve desvalorização da moeda americana. Já os demais, devido à menor pressão dos preços. No caso do terceiro, mais especificamente, em função da elevação da massa salarial. No acumulado do ano, em decorrência do peso, a maior contribuição veio de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,2%).
No comércio varejista ampliado, que inclui o varejo restrito e mais as atividades de Veículos, motocicletas, partes e peças, Material de construção e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas cresceram em 1,3%, em relação ao mês imediatamente anterior. Na comparação a igual mês do ano de 2024, o crescimento foi 7,6%, resultado, que alterou a trajetória negativa para uma positiva no acumulado do ano (0,4%).
Nesse âmbito da análise, ainda em relação ao ano passado, observou-se que o indicador no ampliado foi influenciado positivamente pela atividade de Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (13,4%), dada a deflação verificada nos preços de alguns itens que compõem a cesta básica. Acompanhado por Veículos, motocicletas, partes e peças (4,8%), que mudou a trajetória apresentada nos meses imediatamente anteriores.
*Informações da Coordenação de Acompanhamento Conjuntural (CAC/Distat/SEI).