10/06/2017
Mesas temáticas, intervenções artísticas, noites culturais e comercialização de raízes, grãos, verduras, frutas, licores, hortaliças e artesanatos, produzidos nos assentamentos e acampamentos da reforma agrária. Essa diversidade foi o traço marcante da 3ª Feira Estadual da Reforma Agrária, promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante três dias, na Praça da Piedade. No local, foram comercializadas 80 toneladas em produtos, número superior ao do ano anterior, que registrou 50 toneladas.Neste sábado (10), o diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento rural (SDR), Wilson Dias, prestigiou a solenidade de encerramento da feira e destacou que o evento é uma demonstração da pujança dos assentamentos de reforma agrária no estado. “Ao contrário do que se comenta, que os nossos assentamentos têm dificuldade de produção, essa feira veio no caminho inverso, e comprovou que há produção de alimentos saudáveis e de qualidade, ou seja, isso ajuda ao consumidor urbano, de Salvador, a entender o quanto esses locais são produtivos”.Segundo Dias, outro ganho da feira é a geração de renda para quem está no campo produzindo. “Os agricultores assentados participam de rodadas de negociações e de troca de conhecimento entre assentamentos, projetando, assim, a venda de seus produtos para o mercado de Salvador”.A feira, realizada com o apoio do Governo da Bahia, por meio da SDR/CAR, contou com 70 barracas, 150 trabalhadores e trabalhadoras envolvidos, de 10 regiões de assentamentos e acampamentos da reforma agrária. “A Feira é um instrumento de luta e resistência, estar no centro de uma das maiores cidades do Brasil, divulgando e comercializando os produtos da reforma agrária, é importantíssimo. A luta pela terra é para trazer para a sociedade produtos saudáveis com preços acessíveis, que seja bom para consumidor e justo para o trabalhador e trabalhadora que está produzindo”, salientou Lucineia Durães, da direção estadual do MST.O ator do grupo cultural Bando de Teatro Olodum, Fábio Santana, fez compras durante a Feira e enfatizou: “feira é vida! Ações como essa são importantíssimas, válidas e necessárias, pois aqui a gente compra produtos com o cuidado e o zelo da produção rural”.Debate – No último dia do evento, além da comercialização de produtos, foi realizada uma plenária sobre a Análise da Conjuntura Nacional, com João Pedro Stédile, líder nacional do MST, que discorreu sobre o momento delicado que a política nacional está passando e enfatizou a importância da realização de um evento deste porte.“A feira é um espaço pedagógico. Ela ensina, na prática, para o povo, de como a reforma agrária se transforma em produtos, em pessoas mais saudáveis e em ideias. Aqui é na verdade uma grande escola onde todo mundo aprende. A Feira é a melhor forma de comunicação do MST com a sociedade”, afirmou Stédile.[gallery ids="11278,11276,11273,11272,11270,11271"]