Nesta segunda (26), o III Encontro de Mulheres Rurais promoveu uma roda de conversa com o tema Mulher Coragem: mais autonomia, mais empoderamento, integrando a programação da 9° Feira Baiana da Agricultura Familiar e Econômica Solidária, que segue até este domingo (02), no Parque de Exposições de Salvador.
No segundo dia do encontro, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), as mulheres discutiram formas de enfrentamento à violência e alternativas que incentivem mais autonomia e oportunidades econômicas.
A comandante da Ronda Maria da Penha, Denice Santiago, representante da Secretaria de Segurança Pública, iniciou a roda de conversa, que contou com a participação de Julieta Palmeira, secretária de Políticas para Mulheres (SPM); Fábia Reis, secretária de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e Lídia Maria Araújo Lima, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR).
De acordo com Denice, o número de mulheres rurais que estão em situação de violência ainda é subnotificado na Bahia, por conta da cultura de naturalização e complexidade em denunciar os abusos: "Este encontro, que reúne mulheres de todos os territórios da Bahia, é mais uma oportunidade para dialogar sobre empoderamento e maturidade emocional da mulher para ruptura de relacionamentos abusivos".
Ações compartilhadas
As ações de conscientização, sensibilização e educação para o enfrentamento da violência estão sendo desenvolvidas pelo governo estadual, por meio da SDR e SSP, a exemplo da Ciranda Rural, inserida na Ronda Maria da Penha. A iniciativa busca promover uma ressignificação cultural para que as mulheres entendam que os direitos são os mesmos para todas.
"Companheiras, me ajudem, que eu não posso andar só. Sozinha ando bem, com vocês ando melhor", trecho da música entoada por Lídia Lima, do MMTR, para iniciar sua fala e destacar a campanha #PelaVida, que "tem por objetivo mobilizar organizações públicas e privadas para discutir e propor políticas públicas que atendam às demandas e enfrentem o conceito de negação desta violência", explica.
Questionamentos e pontos de vista diversos movimentaram a roda de conversa, mediada por Renata Rossi, coordenadora executiva de Desenvolvimento Agrário (CDA/SDR), que apontam para "a autonomia e inclusão positiva, econômica e social das mulheres algo muito importante para esse enfrentamento", pontua Julieta Palmeira, secretaria da SPM.
Para Fábia Reis, o processo de resistência é contínuo e está em constante evolução: “Temos hoje um edital específico para mulheres, conduzido pela Bahiater, e isso comprova que a demanda é real e que as mulheres produzem desde sempre, mas não tinham visibilidade”.