Avaliar os diversos aspectos que envolvem as ações de inclusão socioprodutiva e de abastecimento de água e saneamento domiciliar, financiadas com recursos do Bahia Produtiva, projeto do Governo do Estado, executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), é o principal objetivo da Missão do Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento (Banco Mundial), que iniciou nesta segunda-feira (13),e segue até quinta-feira (16).
A Missão, envolve dirigentes e técnicos do Governo da Bahia e do Banco Mundial, e a programação inclui atividades em Salvador, e nos municípios de Ribeira do Pombal, Banzaê, Jacobina e Seabra.
Nesta terça-feira (14), foi realizada uma visita técnica à sede da Rede da Cooperativa da Cajucultura Familiar do Nordeste da Bahia (Cooperacaju), em Ribeira do Pombal, e à Cooperativa dos Cajucultores Familiares da Microrregião de Banzaê, Euclides da Cunha e Quijingue (Cooperbeq), no município de Banzaê, empreendimentos localizados no Território de Identidade Semiárido Nordeste II.
A Rede Cooperacaju, reúne quatro cooperativas filiadas, com cerca de 750 associados de 21 municípios baianos, e conta com um espaço de comercialização e cinco unidades de beneficiamento, que gera uma média de 60 postos de trabalho.
De acordo com o presidente da Rede Cooperacaju, Ícaro Rennê, por meio dos investimentos dos editais de Fruticultura e Alianças Produtivas, os produtos ganharam novos mercados: "Essas ações possibilitam aos agricultores a comercialização do seu produto, garantindo renda e a fixação das famílias no campo, incluindo os jovens, que terão a oportunidade de garantir uma vida digna em suas propriedades, sem que precisem sair para as capitais. Isso faz com que eles tenham uma boa perspectiva de crescimento e ampliação da renda dentro da sua propriedade".
Fernando Cabral, coordenador do projeto Bahia Produtiva, destacou que a Rede Cooperacaju foi escolhida por ser um exemplo de sucesso na produção, beneficiamento e comercialização da castanha de caju, entre os empreendimentos selecionados pelo Bahia Produtiva: "Essas missões de avaliação, em que temos a oportunidade de dialogar com os agricultores e dirigentes, são importantes para conhecer e divulgar esses exemplos que são referências de boas práticas da agricultura familiar, sendo clara a viabilidade do projeto e sua sustentabilidade".
A especialista sênior em Desenvolvimento Rural e gerente do Bahia Produtiva, no Banco Mundial, Fátima Amazonas, pontuou que a visita de campo revelou que a experiência da Rede Cooperacaju tem alguns diferenciais como a liderança de jovens, a formação da maior parte desses jovens, que estão se graduando ou são graduados em Engenharia Agronômica e Ciências Agrárias: "Vê-se que há um crescimento em termos educacionais, nessa população e a entrada dos jovens contribui para a sustentabilidade e continuidade dos projetos que estão sendo financiados e isso está entre os objetivos do projeto. Certamente, quando forem finalizados esses investimentos, a mudança será substantiva, não somente na melhoria da produção, mas daqualidade do produto e produtividade, com possibilidade muito maior de acesso ao mercado, especialmente com as parcerias realizadas por meio das alianças produtivas e das certificações".
A Rede
A Rede Cooperacaju foi selecionada nos editais de Fruticultura e de Alianças Produtivas. Os convênios incluem uma unidade de processamento do Líquido da Castanha do Caju (LCC), um espaço de comercialização e depósito, kit colheita, máquina despeliculizadora, máquina de corte, estruturação da área de produção de mudas, assessoria comunitária rural, gestão da aliança produtiva e implementação do plano de comunicação e marketing. Em paralelo estão sendo realizadas outras ações como a distribuição de mudas de qualidade, resistentes a doenças específicas desta cultura.
Bahia Produtiva
Garantir sustentabilidade e inclusão socioprodutiva a famílias de comunidades rurais baianas são algumas das finalidades do projeto Bahia Produtiva, que nos últimos quatro anos selecionou 862 projetos em toda a Bahia, totalizando investimentos de R$288 milhões, beneficiando diretamente 32.416 mil famílias. O Bahia Produtiva, que é resultado de um acordo de empréstimo entre o Governo da Bahia e o Banco Mundial, diferencia-se de outros projetos não só por aplicar recursos para investimentos produtivos, mas também por ofertar um serviço sistemático de assistência técnica e extensão rural (Ater), apoio à gestão, e promover produtos sustentáveis e acesso a mercados.