Técnicos do Pró-Semiárido são capacitados para fazer análise econômica e ecológica da agricultura familiar

17/05/2019

Analisar os impactos das ações do Governo do Estado, por meio do projeto Pró-Semiárido, na melhoria da renda e qualidade de vida das famílias atendidas pelo projeto. Esse foi o objetivo da capacitação do Lume – Método de Análise Econômica e Ecológica dos Agroecossistemas, que terminou, nesta sexta-feira (17), em Juazeiro, Território Sertão do São Francisco.

A capacitação teve início na terça-feira (14), e reuniu 30 técnicos que atuam no Pró-Semiárido. Foi o segundo módulo de um total de quatro. Os participantes apreendem a aplicar a metodologia, que permite avaliar a renda das famílias e as relações na divisão das tarefas do quintal e da casa, além de perceber a relação dos agricultores e agricultoras com os mercados institucionais e comunitários. A capacitação ajudará os técnicos a realizar 20 estudos de caso com as famílias atendidas.

“O Pró-Semiárido adota a agroecologia como eixo do seu trabalho e o Lume vem muito como uma contribuição da ciência para que a gente possa fazer a avaliação econômica e ecológica dos agroecossistemas dos agricultores familiares com os quais trabalhamos. Ele vai contribuir de duas formas; uma delas é o processo, na medida que ele aguça os nossos sentidos para ter um outro olhar sobre os espaços dos agroecossistemas; o segundo aspecto é que é uma metodologia assertiva e capaz de mostrar resultados mais eficazes sobre nossa ação”, explica o subcoordenador de desenvolvimento produtivo e de mercado do projeto, Carlos Henrique.

Para a engenheira agrônoma Dulce Ferreira, técnica de assistência técnica continuada (ATC) do projeto, “a capacitação serviu pra gente que está fazendo assessoria de campo olhar pro agroecossistema como um todo, e não ir à campo com a cabeça fechada em uma única atividade que o agricultor ou a agricultora realiza. Então, essa capacitação dá luz ao trabalho da mulher, ao trabalho do homem, às relações de gênero explicitando quem se dedica mais a determinada atividade e o que de renda realmente eles estão tendo a partir de suas atividades”.

Nestes momentos os técnicos trocam saberes e experienciam teoria e prática com o apoio de monitores da AS-PTA, organização social que elaborou o Lume. Para o coordenador executivo da AS-PTA, Paulo Petersen, a parceria com o Pró-Semiárido é virtuosa. “Este não é um curso, mas é um processo de troca onde a gente tem ajudado a refletir sobre as experiências que estão sendo desenvolvidas aqui na região, apoiadas pelo Pró-Semiárido, adotando algumas metodologias, conceitos que a gente sistematizou neste método Lume. Nesta interação com o Pró-Semiárido a gente tem conseguido fazer de forma intensiva, com muita reflexão e com um grupo bem animado”.

O Pró-Semiárido é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vincula à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). O projeto é parte integrante de um conjunto de compromissos do Estado para seguir avançando na erradicação da pobreza, levando serviços e investimentos diretamente para a população, a partir de um acordo de empréstimo firmado com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Lume

O método “Lume: análise econômico-ecológica de agroecossistemas” foi desenvolvido por técnicos da AS-PTA com o objetivo de apoiar processos e programas de desenvolvimento rural ao dar visibilidade a relações econômicas, ecológicas e políticas que permeiam os modos de produção e de vida da agricultura familiar e que têm sido historicamente ocultadas ou descaracterizadas pela teoria econômica convencional.

O método vem sendo empregado em diferentes contextos socioambientais no Brasil e no exterior, revelando grande versatilidade para explorar dimensões particulares do funcionamento econômico-ecológico de agroecossistemas, dando resposta a um leque variado de questões de interesse dos agentes envolvidos em programas de desenvolvimento rural.



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