Técnicos e técnicas do Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), participam do terceiro módulo da capacitação na metodologia Lume - Método de Análise Econômica e Ecológica dos Agroecossistemas. Em pauta, a reflexão sobre as relações entre a produção e o consumo da agricultura familiar, com destaque para os fluxos e diferenças entre os mercados convencionais (supermercados, feiras livres) e os mercados territoriais (venda nas comunidades, feiras agroecológicas...). A formação teve início no último dia 14 e segue até a próxima sexta-feira (18), na cidade de Juazeiro.
Na programação estão a revisão dos métodos utilizados para avaliar a renda das famílias agricultoras, aprofundar a interpretação de índices e indicadores econômicos e exercitar a análise quantitativa da geração de renda antes de as famílias receberem o apoio do Pró-Semiárido com implantação de tecnologias, formações e assistência técnica e extensão rural (Ater), e depois de contar com este aparato. As ações do projeto são financiadas pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).
Para Paulo Petersen, coordenador executivo da organização AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, e um dos facilitadores da formação, é preciso fortalecer os mercados locais e democratizar cada vez mais o acesso dos agricultores familiares a estes espaços, em especial os jovens e mulheres. Ele salienta ainda que os mercados têm um importante papel social: “Mercado é um lugar de interação social; mercado não é só um lugar de troca”, afirma Petersen.
O estudo vai permitir aferir com dados, os avanços no sistema produtivo e na qualidade de vida das agricultoras e dos agricultores. A aplicação da metodologia está sendo feita pelo grupo de cerca de 30 técnicos e técnicas junto a seis famílias que vivem no Território de Identidade Sertão do São Francisco, sendo 02 em comunidades rurais de Sobradinho as outras 04 em localidades de Juazeiro.
“Agora a gente vai tratar de uma construção de resultados. Durante muitos anos a gente tem tido avaliações econométricas baseadas na produtividade e nós somos um projeto que trabalha com agroecologia, e a agroecologia não trabalha em cadeia. Então, a gente passa a ter a necessidade de estudar mais questões como agrobiodiversidade, resiliência, autonomia. Questões que a gente deixava de lado e agora está vendo que a metodologia Lume traz isso de uma forma muito clara, sobretudo quando a gente transforma tudo isso em gráfico e consegue visibilizar que a agricultura familiar também funciona bem economicamente”, destaca o subcoordenador do Pró-Semiárido, Carlos Henrique.