Formação une lúdico ao educativo para resgatar as brincadeiras e o saber local

29/11/2019

É por meio de atividades que envolvem brincadeiras, cantigas e a contação de histórias que mulheres e homens de comunidades rurais do Semiárido baiano estão se capacitando para atuar como cirandeiras e cirandeiros, que são pessoas que cuidam do espaço chamado “Ciranda das Crianças”, onde eles e elas utilizam ferramentas e metodologias lúdico-educativas para trabalhar com as crianças enquanto os pais participam de reuniões e oficinas, por exemplo.

A formação, que tem duração de três dias, é uma iniciativa do Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Ação Regional (CAR), por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), com o apoio do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa).

Nesta semana, entre os dias 26 e 28, a formação aconteceu no município de Remanso e envolveu cerca de 30 pessoas que, de forma dinâmica, aprenderam como tratar temas como educação contextualizada, gênero e convivência com o Semiárido com os pequenos. “A Ciranda das Crianças tem que ser um espaço lúdico e agradável. Nós não somos mães, nem professores, nem cuidadores... nós somos cirandeiras e cirandeiros, que vamos cuidar deste espaço com música, contação de histórias e brincadeiras populares, porque a proposta da ciranda é de resgate e de aprendizado para as crianças”, salientou o educador popular Amilton Santos durante a oficina.

Durante a capacitação, os facilitadores e facilitadoras mostram, na prática, a contação de histórias, a fabricação de brinquedos educativos e o resgate das brincadeiras populares, como explica a pedagoga e educadora popular Juzileide Carvalho: “A formação parte de três eixos centrais, que é o trabalho com a infância, relações de gênero e convivência com o Semiárido. Mas, como falar sobre isso com crianças? A gente pensou metodologicamente em trazer a linguagem mais simbólica, então, a contação de história, a construção de brinquedos pedagógicos e as brincadeiras são ferramentas para trabalhar estes três eixos. E isso é feito por educadores que têm expertise neste trabalho!”.

Alessandra é uma das agricultoras que participaram da formação. Ela está se capacitando para atuar como cirandeira na comunidade Serrote, em Remanso, local em que mora. “Eu acho muito importante ter a cirandeira nas comunidades porque a gente pode cuidar das crianças, enquanto as comunidades estiverem fazendo as reuniões, a gente pode ter um aprendizado melhor para os pais e para as crianças”, afirma a cirandeira.

Além de trabalhar a ludicidade, a Ciranda das Crianças tem um papel importante no resgate da cultura e na valorização do saber local das famílias agricultoras. “O projeto tem este sentido de fazer a recuperação da cultura popular, do reconhecimento das brincadeiras que outrora se brincava e hoje ninguém vê. De forma muito prazerosa, a formação está deixando um grande legado pro Semiárido, para o território Sertão do São Francisco e, com certeza, para o projeto Pró-Semiárido”, salienta Juzileide.



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