Com o objetivo de iniciar o diálogo temático com representantes dos Biomas Brasileiros, foi realizada, nesta sexta-feira (15), com transmissão ao vivo pelo Canal Resistentes, do Youtube, a 3ª Jornada da Aldeia Agricultura e Justiça, com a participação de representante da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes).
O tema principal dessa jornada foi o Bioma Caatinga, com foco nos trabalhos de Extrativismo de Mulheres quebradeiras de licuri, do semiárido baiano, que se organizaram em cooperativas criando uma cadeia de preservação ambiental e geração de renda, no município baiano de Capim Grosso e região.
Esta edição jornada da Aldeia Agricultura e Justiça, que está disponível no link: https://urless.in/mOwSl, integra a iniciativa Economia de Francisco e Clara, que deverá reunir, no mês de novembro de 2020, em Assis, na Itália, 2.000 jovens de 115 países, para discutir temas como alimentação e agricultura, trabalho em áreas rurais, mudanças climáticas, direitos humanos, economia local, biodiversidade, gerações futuras, dignidade dos agricultores.
De acordo com Renata Silva, que atua como gestora do convênio Alianças Produtivas, do projeto Bahia Produtiva, na Coopes, que tem sede no município de Capim Grosso, e desenvolve um projeto com mulheres extrativistas, é importante a participação da cooperativa, nesse processo de construção de uma economia proposta pelo Papa Francisco, pois consolida o extrativismo como uma cadeia produtiva que gera renda para famílias em vulnerabilidade social, buscando alternativas de conviver na sua comunidade, melhorar a economia local e fortalecer o cooperativismo, tendo em vista a preservação da Caatinga, bioma presente no Nordeste e exclusivamente brasileiro, que vem passando por um processo de desmatamento e danos ambientais.
"Com o extrativismo do licuri nós fomentamos a produção, mas também a preservação ambiental, por meio do manejo sustentável", destacou Renata, que apresentou produtos da Coopes durante o evento online e está com inscrição confirmada para o evento na Itália.
Participaram também da jornada o padre Xavier Nichele, militante de projetos sociais no semiárido baiano, a professora Iracema Lima, diretora da Escola Família Agrícola (EFA), de Jaboticaba, na Bahia, e a professora Marcia Vanusa da Silva, do Departamento de Bioquímica do Centro de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que lidera um grupo de pesquisa sobre o potencial alimentar e de biocosméticos e fitoterápicos da flora da Caatinga, Gabriel José Moraes de São Paulo, que atua em movimentos sociais e André Thomaz, de Pelotas, Rio Grande do Sul.
Investimentos Bahia Produtiva na Coopes
O projeto Bahia Produtiva, resultado de um acordo de empréstimo entre o Governo da Bahia e o Banco Mundial, com execução da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), diferencia-se de outros projetos não só por aplicar recursos para investimentos produtivos, mas, também, por ofertar um serviço sistemático de Ater e apoio à gestão, além de promover a fabricação de produtos sustentáveis e acesso a mercados, entre outras iniciativas.
Por meio de editais a Coopes vem recebendo investimentos tanto para o fortalecimento do sistema produtivo do licuri, quanto para a apicultura e meliponicultura, o último convênio assinado, da ordem de R$1,9 milhão, destinou recursos à implantação de uma unidade simplificada para a produção do óleo de licuri, incluindo galpão e instalação de máquinas para o processamento do fruto do licurizeiro.
Economia de Francisco e Clara
A Economia Francisco e Clara surgiu a partir de um convite do Papa Francisco aos jovens empreendedores, economistas, para fazer um pacto, no espírito de São Francisco, a fim de que a economia de hoje e de amanhã seja mais justa, fraterna, sustentável e com um novo protagonismo de quem hoje é excluído. O objetivo é construir uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável.