A segurança alimentar e nutricional é uma preocupação mundial e, com base nos dados mais recentes, os órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) estimam que a Covid-19 pode acrescentar entre 83 e 132 milhões de pessoas ao número total de indivíduos subnutridos apenas este ano. Neste contexto, painelistas internacionais fizeram um panorama sobre a segurança alimentar na Bahia, no Brasil e no Mundo, durante o seminário Papo para um Novo Mundo, realizado nesta terça-feira (04).
A iniciativa está sendo realizada Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio do projeto Bahia Produtiva, em parceria com VP Centro de Nutrição Funcional, e traz uma série de diálogos virtuais, para ampliar o debate de temas importantes como sustentabilidade, agroecologia, produção de alimentos saudáveis, bons, limpos e justos.
O evento, que tem como tema Segurança Alimentar e Nutricional: produção, consumo e inclusão produtiva, segue até esta quarta-feira (05), com transmissão pelo canal SDRBahia, no Youtube.
Para a gerente da prática global de agricultura e segurança alimentar para a América Latina e Caribe do Banco Mundial, Preeti Ahuja, o sistema alimentar global está quebrado, e não caminha para alcançar essa meta de desenvolvimento sustentável da Fome Zero até 2030 e que, se as tendências recentes continuarem, o número de pessoas afetadas pela fome vai ultrapassar 840 milhões até 2030: “É necessária uma mudança profunda no sistema global de alimentos e da agricultura. As áreas de intervenção incluem incentivo para os produtores alimentares que assegurariam esse suprimento para os consumidores, redução de perdas e desperdícios de alimentos para uma melhor nutrição, que sejam resistentes às mudanças climáticas, e a reorientação dos investimentos públicos que possam promover melhores resultados nutricionais. Mas, acredito que juntos vamos superar esse desafio, se nos mantermos focados”.
O diretor do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e Chefe do centro de gestão do conhecimento e cooperação do Sul-Sul, Claus Reiner, falou sobre o projeto Pró-Semiárido, financiado pelo Fida, em conjunto com o Governo da Bahia, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR): “O projeto está focado em uma população mais vulnerável, atende 62 mil famílias do Semiárido e percorre trajetos de produção, renda, comercialização e sensibilização. Fazemos um trabalho com esse projeto e com iniciativas inovadoras em todo o mundo, que podem aproveitar essa abordagem aqui apresentada. O Centro de Gestão de Conhecimento, por exemplo, está promovendo essas soluções em outros projetos e, com isso, tem muita perspectiva que essa boa experiência de segurança alimentar da Bahia possa também ser aproveitada em outras regiões semiáridas da América Latina”.
Segundo o representante da Organização para a Alimentação e Agricultura (Fao) e do Fida no Brasil, Rafael Zavala, está claro, que em nível mundial, é preciso mudar as maneiras como são produzidos, distribuídos e comercializados os alimentos: “A pandemia nos deixa lições como da importância do sistema alimentar, a resiliência dos sistema de produção de alimentos, das mulheres e de uma alimentação saudável. Destaco ainda a importância da Bahia nesse contexto, como grande produtor agrícola. A Bahia é o ponto de referência para o Nordeste, um laboratório de políticas públicas em muitos casos. O que acontece neste estado repercute em outros estados do Nordeste”.
A consultora sênior em nutrição e sistema alimentares do Comitê Permanente de Nutrição das Nações Unidas, Denise Coitinho, destacou pontos centrais das mudanças necessárias, entres elas promover e melhorar a qualidade das dietas pela diversificação, como o enfrentamento da malnutrição, o resgate das tradições alimentares promovem a boa nutrição e a urgência de valorizar os produtos locais que promovam diversificação alimentar com retorno financeiro para os agricultores: “O projeto do Governo do Estado da Bahia, o Bahia Produtiva, vai ao encontro com todos os pontos essenciais. O mais importante é gerar e compartilhar conhecimento do que fazer e quando nós, no comitê de nutrição, começamos a estudar mais o projeto, e esse componente de segurança alimentar, ficamos impressionados como foi bem concebido e tem gerado resultados significativos, com reflexão e um processo participativo de construção”.
O evento contou também com a participação do coordenador do grupo governamental de segurança alimentar da Casa Civil, Flávio Bastos, e da secretária geral da Fian Internacional, Organização Internacional pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas.
Programação
A programação dos painéis continua, nesta terça-feira (04), com o tema Segurança Alimentar e Nutricional na Prática, e segue até quarta-feira (05), com temas relacionados a produção versus consumo, Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs).
O Bahia Produtiva é um projeto do Governo do Estado, executado pela CAR, empresa pública vinculada à SDR, a partir de acordo de empréstimo com o Banco Mundial. O projeto já aplicou R$ 349,3 milhões, transformando a vida de mais de 35.385 mil famílias beneficiadas com oferta de infraestrutura produtiva, apoio à gestão e acesso ao mercado, gerando inclusão produtiva, renda e sustentabilidade.