A influência da alimentação sobre o bem-estar e o risco ou proteção contra doenças são assuntos amplamente discutidos entre os profissionais da área da saúde e na mídia. Nesta quarta-feira (05), o seminário Papo para um Novo Mundo debateu como as Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc) estão relacionadas com a segurança alimentar e nutricional e de que forma o uso habitual dessas plantas traz benefícios para a saúde.
O evento, transmitido pelo canal SDRBahia no Youtube, é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), no âmbito do projeto Bahia Produtiva, em parceria com VP Centro de Nutrição Funcional.
O engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Hortaliças, Nuno Madeira, chamou a atenção para sete espécies que devem ser inseridas na alimentação, a Ora-pro-nóbis, Moringa, Chaya, Caruru ou Bredo, Língua de vaca, Beldroega e Vinagreira: “Estima-se, que no Brasil existem mais de 10 mil espécies não convencionais e pelo menos duas centenas dessas podemos trazer para serem usadas no dia a dia da sociedade novamente. É a resiliência e o potencial agrícola, alimentar e nutricional dessas espécies que vai fazer com que haja avanço em segurança e soberania alimentar”.
A Mestre na área de Nutrição e pediatra pela Unifesp e diretora da VP Centro de Nutrição Funcional, Valéria Pascoal, falou sobre o aspectos nutricionais das Panc e apresentou uma dieta alternativa com inclusão de alimentos da biodiversidade da Bahia: “Com essas mudanças, de colocar os alimentos que muitas pessoas tem em seus quintais produtivos, podemos impactar no Potencial de Carga Ácida (Pral), conseguir alcalinizar o sangue e a urina. Além disso, são alimentos com fitoquímicos, importantes na prevenção e diminuição na expressão de doenças que trazemos na nossa história genética. Com essa ingestão e aumentando a diversidade dos nossos quintais, da nossa panela, da nossa mesa e do nosso prato, teremos saúde, com muita vitalidade positiva. Para ter mais saúde, as mudanças estão nas nossas mãos”.
A programação do seminário contou também com a nutricionista e chefe de cozinha, Veranúbia Mascarenhas, que montou possibilidades culinárias para o uso das Panc, com a inserção das plantas em refogados, sucos verdes, molhos, saladas, além da utilização das flores na alimentação, e propôs ainda a substituição de ingredientes dos pratos típicos baianos por espécies de Panc.
A programação foi mediada pelo gestor da Coordenação Executiva de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex), José Tosato, e contou ainda com a apresentação de vídeos com depoimentos de beneficiários atendidos pela assistência técnica de apoio à Segurança Alimentar e Nutricional do Bahia Produtiva.
O seminário integra o Plano de Ação de Segurança Alimentar e Nutricional do projeto, que já realizou a capacitação de 81 profissionais de assistência técnica e extensão rural (Ater), de 150 jovens Agentes Comunitários Rurais como multiplicadores em suas comunidades, a implantação de bancos de sementes nos 27 territórios da Bahia, a sensibilização dos agricultores sobre a temática e o levantamento sobre a situação da segurança alimentar e nutricional das famílias beneficiadas.