Estudos realizados por técnicos do Pró-Semiárido, projeto do Governo do Estado da Bahia de combate à pobreza rural, foram apresentados durante o 8º Congresso Latino-americano de Agroecologia, realizado virtualmente entre os dias 25 e 27 de novembro. Os trabalhos apresentaram metodologias aplicadas a famílias beneficiadas pelo projeto, residentes em comunidades rurais do território Sertão do São Francisco.
Foram apresentadas mudanças qualitativas na vida destas famílias, como a maior participação em mutirões, intercâmbios e nos espaços de gestão participativa do Pró-Semiárido, como também efeitos quantitativos positivos das inovações implantadas pelo projeto, como a instalação de aviários e canteiros econômicos, além do fornecimento de equipamentos específicos para apicultura e caprino-ovinocultura, e do impacto na produção e modo de vida dos agricultores/as, a partir do acompanhamento realizado por entidades de Assessoramento Técnico Contínuo (ATC).
Um dos trabalhos apresentados foi a análise agregada de 14 agroecossistemas do Sertão do São Francisco, com a indicação de inovações proporcionadas pelo Pró-Semiárido e que contribuíram para um aumento de 21%, em média, na renda agrícola das famílias, sem aumento expressivo nos custos de produção (a simulação indicou aumento de 5%). “Foi uma grande oportunidade para as organizações sociais e pesquisadores/as de diversos países conhecerem o formato inovador do projeto, no qual o Governo estabelece parceria com organizações que já atuam nas comunidades há décadas, e portanto conhecem muito bem a realidade delas, suas demandas e potencialidades”, destacou Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
A experiência do Pró-Semiárido com o Lume (AS-PTA/ANA), metodologia de avaliação econômica-ecológica de agroecossistemas, utilizada para avaliar de forma holística a propriedade rural e as atividades da família agricultora, foi compartilhada em oficina e permitiu, também, aos técnicos do projeto conhecer estudos realizados em comunidades em Corrientes, na Argentina, com o mesmo método realizado pelo Movimento Agroecológico Latinoamericano (MAELA). “Foi muito importante pra gente ver que a forma que a gente trabalha junto às comunidades são adotadas por outros órgãos governamentais em outros países”, ressaltou o técnico do componente produtivo do Pró-Semiárido, Emanoel Amarante.
O método dá visibilidade a questões importantes, que são ocultadas por teorias econômicas convencionais, como a produção para o autoconsumo e doações, o papel do trabalho doméstico e de cuidados para a reprodução social e econômica dos agroecossistemas, a importância da participação das mulheres e dos/as jovens nas redes de aprendizagem, entre outros aspectos. “Foi bem importante termos apresentado esses trabalhos em mais um congresso científico, mostrando como é fecunda a parceria entre o FIDA, o governo da Bahia e as organizações da sociedade civil que fazem parte da Articulação Semiárido Baiano (ASA Bahia), e como estudos usando o Lume proporcionam reflexões importantes para o constante aprimoramento de políticas e programas públicos”, concluiu Denis Monteiro.
Protagonismo feminino – O trabalho A caderneta Agroecológica como instrumento de protagonismo para agricultoras rurais no Semiárido baiano trouxe a discussão sobre a importância das mulheres para agricultura familiar na Bahia, da Caderneta Agroecológica como ferramenta de controle e gestão da produção e renda geradas por elas e do trabalho realizado pelas entidade de assessoramento técnico contínuo neste processo, sobretudo pelas técnicas que fazem o acompanhamento junto às agricultoras. “A apresentação do trabalho possibilitou dar mais visibilidade à atuação das agricultoras do Semiárido, numa perspectiva feminina”, pontuou a engenheira agrônoma e coordenadora da equipe técnica do Serviço de Assistência Socioambiental no Campo e Cidade (SAJUC), entidade conveniada ao Pró-Semiárido.
O Pró-Semiárido está presente em 32 municípios da Bahia e é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).