Oficinas virtuais étnico-raciais fomentam parcerias e reflexão sobre diversas temáticas com beneficiários do Pró-Semiárido

16/03/2021

Integrar as ações desenvolvidas nas comunidades, a exemplo das oficinas que trataram sobre o racismo e questões de gênero, e pensar ações estratégicas para a continuidade das ações do projeto do Governo do Estado, Pró-Semiárido. Esses foram os motes dos encontros étnico-raciais que aconteceram virtualmente, nos dias 10,11 e 12 deste mês, em parceria com a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3.


“Esses três encontros que realizamos virtualmente serviram para estreitar o diálogo entre o que acontece nas comunidades, as realidades e os movimentos e enfrentamentos que são feitos por essas entidades que trabalham este enfoque étnico-racial, com recorte em gênero e a questão geracional”, explica a assessora de gênero do Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira.


Ao todo, cerca de 140 pessoas participaram dos eventos, sendo técnicos do projeto e das 10 entidades parceiras de Assessoramento Técnico Continuado (ATC), representantes de comunidades quilombolas, ribeirinhas, fundo e fecho de pasto e indígenas e parceiros locais. As oficinas contaram também com apresentações artístico-culturais.


Nos três eventos, pautas importantes foram incorporadas à reflexão: identidade, ancestralidade, racismo, violência contra as mulheres; ameaça de grandes empreendimentos, como as eólicas e mineração; demarcação de terra, a exemplo do que acontece com o povo indígena Tumbalalá de Curaçá; protagonismo de jovens e mulheres e empoderamento por meio da inserção deles e delas em grupos produtivos, como acontece no território de identidade Piemonte da Diamantina, onde dezenas de grupos têm conseguido renda e autonomia com o beneficiamento de frutas e da mandioca.


Outro assunto que foi trazido nos encontros foi a importância da adoção da Caderneta Agroecológica - ferramenta que permite que as mulheres agricultoras anotem o que consomem, vendem, trocam e doam, e assim percebam o volume de produção que elas garantem com seus trabalhos nos quintais produtivos.


Amanda Monteiro, da ONG Cactus, avaliou a ação: “O uso da tecnologia da caderneta trouxe essa participação efetiva das mulheres na renda das famílias. Queremos chamar a atenção para os saberes ancestrais dessas mulheres, plantas medicinais, plantas alimentícias não convencionais... nós temos o desafio de fazer o uso dessa metodologia com outras mulheres, apostar na possibilidade de espalhar essa sementinha que está sendo plantada”.


Elizabeth Siqueira enfatiza o quanto esses momentos foram importantes para assegurar a continuidade das ações, mesmo após a saída do projeto: “Foi muito rico esse processo de articulação, fortaleceu os laços e fez com que o Pró-Semiárido mostrasse que o trabalho desenvolvido nas comunidades com certeza terá uma continuidade por meio destas entidades que estão presentes nas mesmas áreas nossas”.


O Pró-Semiárido é um projeto do Governo do Estado, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).



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