Foi realizada, no município de Jacobina, entre os dias 25 e 27 de agosto, capacitação para formação de cirandeiras/os, uma das etapas para implantação da metodologia de gênero Ciranda das Crianças. A metodologia faz parte da estratégia do Governo do Estado que visa ampliar a inserção de mulheres e crianças nas políticas públicas destinadas ao campo, desenvolvida a partir da assessoria de gênero do projeto Pró-Semiárido, ação de combate à pobreza rural com atuação em 32 município do Semiárido baiano.
As/os cirandeiras/os são capacitadas/os para conduzirem atividades ludo-educativas junto às crianças da comunidade rural enquanto seus pais participam, sobretudo as mulheres agricultoras, das ações do projeto. Tendo o brincar como base, a formação é conduzida por meio de dinâmicas e metodologias, a partir dos eixos temáticos: Convivência com o Semiárido, Valorização da Infância no Campo e as Interseccionalidades - principalmente as questões de gênero, raça, etnia e geração.
“Nós temos buscado sempre esse brincar como uma forma de transmitir e compartilhar os conhecimentos durante as formações. A confecção de uma boneca Abayomi, para tratar das questões raciais, o aprender a fazer uma bola de sabão gigante, tudo tem uma importância ímpar no projeto: seja motora, criativa, de reflexão sobre o meio ambiente ou identidade”, explica a assistente social e antropóloga, Joyce Lopes, componente da equipe formativa da Aresol, entidade responsável pela formação.
Joyce Lopes assinala que, além de assegurar a participação das mães e cuidadoras nas atividades do Pró-Semiárido, o objetivo da Ciranda das Crianças é, também, despertar um novo olhar para a infância rural: “Nosso sonho é que possamos reconhecer a importância da identidade da criança, racial, regional, plural; e a infância é a sementinha jovem para a gente trabalhar tudo isso”. Nesse sentido, a socióloga Vanessa Ionara, membro da equipe da Aresol, fala da importância de se trabalhar a questão da territorialidade na infância: “Nas Cirandas, nós buscamos desconstruir o mito de que o campo está um passo atrás. Estamos tão conectados como as pessoas da cidade, mas com um pouco mais de qualidade de vida, talvez”.
A agricultora e a agora cirandeira Lindalva Santos, da Fazenda Várzea Nova, em Jacobina, resumiu o aprendizado adquirido por ela na formação: “Ser cirandeira é resgatar nossa cultura, dos nossos antepassados, e envolver as nossas crianças nisso, trazer elas presentes, junto com a gente, para que elas não fiquem sem referência”.