Nestes dias 20 e 21, agricultores e agricultoras dos territórios de identidade Sertão do São Francisco, Piemonte Norte da Diamantina e Bacia do Jacuípe participam de formação para acessar o selo de certificação orgânica participativa. Nesse quinto e último módulo, os grupos aprenderam como serão feitas as etapas de visita às propriedades para avaliação das boas práticas e oportunidades de melhorias, que vão definir se as suas produções vegetal, animal e de produtos beneficiados (pequenas agroindústrias) estão em conformidade com o que rege a lei 10.831/2013, que trata sobre agricultura orgânica.
“Este é o quinto módulo e faz parte da etapa final da capacitação. Daqui pra frente é a implantação das etapas de formação e formalização dos grupos e de realização das visitas que são os procedimentos para a certificação. Até março de 2022, esperamos já ter grupos formalizados, com documentação preenchida e fazer entrega de certificados para vegetais e depois a certificação para animais e agroindústrias”, disse Claudio Lyrio, membro da Rede Povos da Mata, que está coordenando a ação.
A coordenadora local do Pró-Semiárido no município de Jacobina, Rejane Magalhães, explicita o quanto essa ação foi importante para o fortalecimento do Projeto: "Aqui na região foi consolidado o Núcleo Jacobina, denominado Semiárido Forte, com a adesão de agricultores e agricultoras dos diversos municípios dos Territórios Piemonte da Diamantina e Bacia do Jacuípe, que passarão a produzir e comercializar alimentos orgânicos certificados, o que representa um marco para o projeto e um ganho muito significativo para a agricultura familiar".
As capacitações aconteceram, respectivamente, nos municípios de Juazeiro, Remanso e Jacobina e fazem parte do projeto “Reconectando as relações entre agricultores e consumidores por meio dos Sistemas Participativos de Garantia (SPG)”, parceria da Rede de Agroecologia Povos da Mata com o Pró-Semiárido, projeto do Governo da Bahia executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).
Para Luciana Ferreira, agricultora e membro da coordenação da feira agroecológica do município de Sento Sé, esse processo vai assegurar uma maior confiabilidade ao produto que eles produzem e ofertam para o mercado. “A certificação só veio dar mais uma garantia a nós que estamos no ramo da agroecologia, porque a gente trabalha na base da confiança: o cliente confia e a gente tenta deixar mais transparentes possíveis as nossas produções. E a certificação veio com esse papel, de suma importância pra nós. Vem pra nos levar além de onde a gente está”.
Nessa perspectiva, o técnico em desenvolvimento produtivo do Pró-Semiárido, Victor Leonam, destaca que a certificação partiu da necessidade de fortalecer a confiabilidade entre produtor(a) e consumidor(a): “Com estes selos a gente vai fazer com que alguns mercados de ciclos curtos, onde a gente atua, a exemplo da feira agroecológica de Sento Sé, além da comercialização por encomenda ou delivery, que já estão acontecendo, venham a ter seu selo e que os consumidores tenham certeza da procedência como orgânico”.
Pós-Projeto
A ação do projeto deve ser finalizada em 2022, mas, segundo Claudio Lyrio, o processo da certificação continuará a ser sustentável: “O projeto finaliza, mas o processo de certificação é contínuo. Ele não tem fim. Os grupos vão ser formados e formalizados. Novos grupos vão surgir e tem a possibilidade de criação de novos núcleos. Hoje o núcleo Raízes do Sertão está apadrinhando o núcleo Juazeiro, mas amanhã vai ser o núcleo de Juazeiro que vai apadrinhar outros grupos. Os agricultores que estão participando hoje da capacitação amanhã vão capacitar outros agricultores. A rede se retroalimenta”.