A Conexão entre Fóruns de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro, Matriz Africana e Comunidades Tradicionais de Fundo de Pasto foi uma das pautas da Rota do Bode, evento que ocorreu no período de 15 a 20 de julho no Território de Identidade Sertão do São Francisco. A programação teve o objetivo de discutir e alinhar estratégias para viabilizar a comercialização justa de caprinos e ovinos para municípios baianos e de outros Estados brasileiros, e também garantir melhoria na renda dos produtores aliada aos cuidados com o bioma Caatinga.
O evento foi realizado pelo Fórum Nacional de Segurança Alimentar dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsa Potma), com apoio de diversas entidades, entre elas, o Governo da Bahia, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). Durante os cinco dias de evento, participaram centenas de pessoas de comunidades tradicionais de fundo de pasto, de matriz africana, lideranças políticas, comunitárias, técnicos e especialistas do sistema produtivo de caprinos e ovinos.
“A gente tem uma importante rota de comercialização que precisa ser explorada justamente para evitar a necessidade de buscar o atravessador, que vende um animal tão caro, para que, com isso, as pessoas possam comprar animais a um preço mais justo. Podemos dizer que com a concretização da Rota do Bode o produtor de fundo de pasto terá acesso a mais uma rota de comercialização. É isso que a gente busca na estratégia de fomento aos caprinos na Bahia, que haja um mercado justo para produtores e consumidores”, salientou o especialista em caprinocultura da CAR, Emanoel Amarante.
Durante a programação, o grupo visitou comunidades tradicionais fundo de pasto nos municípios de Casa Nova e Jaguarari e realizou rodas de diálogo com produtores e produtoras para sondar a capacidade de produção e os desafios na comercialização dos rebanhos. Além disso, houveram momentos de debate com a presença de representantes de instituições governamentais e não-governamentais nas sedes dos municípios baianos de Juazeiro e Jaguarari e também em Petrolina (PE).
Iuana Louise, ponto focal da Fonsa Potma no território Sertão do São Francisco, ressaltou que o evento foi importante para que a demanda dos povos tradicionais de matriz africana seja assegurada e, com isso, as atividades culturais possam ser realizadas sem que sejam cobrados valores muito altos. “Com a possibilidade de realização da Rota do Bode, a gente tem a possibilidade de fazer diálogo e negociação justa para que, assim, possamos adquirir animais de forma justa para os nossos atos sagrados”, disse Iuana.
Entre os temas debatidos estiveram o papel dos governos Federal, Estadual e Municipal e suas políticas públicas na aproximação entre povos e comunidades tradicionais do Brasil; conceitos fundamentais sobre a Rota do Bode; debate sobre a construção de uma rede de planos de negócios da Rota do Bode, fundado nas economias dos territórios dos povos tradicionais e perspectivas de consolidação de uma teia de rotas do bode.
O apoio da CAR, empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), foi realizado por meio do Pró-Semiárido, projeto cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).