Contribuir para preservação da biodiversidade do bioma Caatinga, divulgando uma nova tecnologia que utiliza energia limpa como alternativa sustentável para o preparo de alimentos. Esse é objetivo do projeto “Fogão Solar”, do Mata Branca, programa da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa ligada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir).
O projeto vem transformando o sol em aliado dos sertanejos moradores de Itatim, distante 220km de Salvador. No mês de março, foi realizada a terceira e última ‘Oficina de Construção de Fogão Solar’ no município, capacitando para construírem seus próprios fogões cerca de 50 pessoas das localidades de Felipe Velho, Monte Alto, Lagoa de Tanquinho, Capoeiras, Lagoa do Canto, Cabaceiras, Mendes e Duas Pontas.
De acordo com a técnica do projeto Mata Branca, Andréia dos Santos Sousa, o projeto traz diversos benefícios para os moradores da zona rural. “O fogão transforma a irradiação solar em calor para o preparo de alimentos, a energia é gratuita e abundante, e não há chamas, fumaça, poluição atmosférica, incêndios e explosões”, explicou.
Ainda segundo Andréia, o fogão solar não traz benefícios somente para quem usa, já que representa uma contribuição inestimável à fauna e à flora, hoje tão comprometidas com o desmatamento inconsequente e predatório na busca de lenha, gravetos e materiais outros destinados à produção de energia térmica. “Cerca de 30% da madeira retirada da caatinga transformam-se em lenha. Utilizando o fogão solar, será possível economizar até 55% dessa lenha”, salientou.
FOGÃO SOLAR: Uma alternativa ao uso da lenha
Os moradores da Zona Rural de Itatim têm a lenha como sua fonte de energia para preparação de alimentos, provocando um sério desequilíbrio ambiental e acelerando a destruição do bioma caatinga. Vítima da exploração predatória e desordenada, a maioria da madeira consumida vem de florestas remanescentes desses ecossistemas, que ainda não possuem planos de gestão sustentável, ocasionando degradação ambiental e risco de desertificação.
Esta prática vem sendo utilizada desde as gerações passadas, de forma desordenada e indiscriminada, sem nenhuma técnica de manejo. E foi, até o momento, a única alternativa economicamente viável para essas famílias, em sua maioria de baixa renda. Elas são famílias estão vulneráveis a doenças, principalmente respiratórias, devido à concentração da fumaça dentro do ambiente doméstico, que é uma séria ameaça para a qualidade de vida, sendo as crianças as mais afetadas.
Nas casas desses moradores, as paredes próximas ao fogão de lenha e as panelas utilizadas para aquecer os alimentos ficam pretas devido às partículas de fumaça que nelas se fixam, diminuindo o tempo de durabilidade.
O uso do fogão solar é uma alternativa social e economicamente viável, uma vez que será reduzido o uso da lenha, e através da implantação deste subprojeto, as famílias obterão mais uma alternativa de geração de renda, uma vez que estarão qualificadas na produção do fogão solar.
Ascom Sedir/CAR